Saturday, 30 May 2009

Manobra de Heimlich


Manobra de Heimlich é o melhor método pré-hospitalar de desobtrução das vias aéreas superiores por corpo estranho. 
Essa manobra foi descrita pela primeira vez pelo médico estadunidense Henry Heimlich em 1974 e induz uma tosse artificial, que deve expelir o objecto da traqueia da vítima. 
Resumidamente, uma pessoa ao executar a manobra usa as mãos para fazer pressão sobre o final do diafragma
Isso comprimirá os pulmões e fará pressão sobre qualquer objecto estranho na traquéia.

Procedimento
A pessoa a aplicar a manobra deverá posicionar-se atrás da vítima, fechar o punho e posicioná-lo com o polegar para dentro entre o umbigo e o osso esterno. Com a outra mão, deverá segurar o seu punho e puxar ambas as mãos em sua direção, com um rápido empurrão para cima e para dentro a partir dos cotovelos. Deve-se comprimir a parte superior do abdomen contra a base dos pulmões, para expulsar o ar que ainda resta e forçar a eliminação do bloqueio. É essencial repetir-se a manobra acerca de cinco a oito vezes. Cada empurrão deve ser vigoroso o suficiente para deslocar o bloqueio.
Caso a vítima fique inconsciente, a manobra deve ser interrompida e deve ser iniciada a reanimação cardio-respiratória.

SOS - Engasgo - Manobra de Heimlich







Lançamento do livro “Não me tirem o útero!” em Caldas da Rainha


Hoje sábado, 30 de  Maio, a Comunidade de Leitores das Caldas da Rainha vai promover o lançamento nacional do último livro do escritor e jornalista Pedro Laranjeira, intitulado “Não me tirem o útero!...”. Esta iniciativa está agendada para as 15h30, na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha, e contará com a presença do cientista português João Martins Pisco, pioneiro a nível mundial de um tratamento de miomas uterinos, que evita a cirurgia e permite que a mulher continue a ter filhos. Estarão também presentes algumas mulheres que se submeteram a esta nova terapia e se disponibilizam a prestar publicamente os seus testemunhos.

A importância deste novo tratamento resulta do facto de um terço das mulheres em idade fértil ser atingido por este problema, pelo que milhões de doentes, em todo o mundo, poderão beneficiar desta nova terapia. Em Portugal são operadas, anualmente, mais de 10 mil mulheres com problemas uterinos, das quais cerca de 4 mil poderão passar a beneficiar deste novo tratamento, que não é uma medicina alternativa, mas medicina pura, no sentido convencional do termo.

Profusamente ilustrado, o livro é construído de uma forma coloquial, sem a hermética terminologia médica, o que o torna acessível a todos os níveis de cultura do público leitor. Contém, também, várias fotografias de bebés que nasceram após a aplicação desta nova terapia criada por João Martins Pisco. A obra foi apresentada primeiramente à Comunidade Científica, em Lisboa, na Escola Superior de Tecnologia de Saúde, no passado dia 28 de Março, num Congresso Médico Internacional com a presença de especialistas de renome, vindos de vários países como, Brasil, Estados Unidos, França, Holanda e Índia, com o objectivo de conhecer e poder aplicar esta nova terapia. 

Na sequência deste Congresso Internacional, outros especialistas de todo o mundo têm vindo a colher mais informação junto de João Martins Pisco e, nos últimos dias, um grande grupo empresarial, norte-americano, ligado à Medicina, iniciou negociações com o autor do livro, no sentido de ser publicado em todo o país, não apenas em inglês, mas para atingir a máxima divulgação, também em francês, alemão, espanhol, italiano e mandarim.


João Martins Pisco
Director do Serviço Universitário de Radiologia do Hospital de Pulido Valente, Lisboa. 
Professor Catedrático de Medicina da Imagem da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

Friday, 29 May 2009

Consumo de leite é alvo de controvérsia entre profissionais de saúde

Leite: herói ou vilão?

Presente na maioria das dietas ocidentais, o leite sempre foi considerado um alimento saudável e completo para todas as idades. A indústria de lacticínios – com o aval dos profissionais de saúde e nutrição - ajudou a propagar a idéia de que o leite e seus derivados eram a principal fonte de cálcio, rico em proteínas e vitaminas A, B1 e B2. Afinal, quem não lembra das propagandas com celebridades e modelos com bigodes brancos de leite? Na mesa dos brasileiros, não pode faltar no desjejum o tradicional café com leite, já os norte-americanos não dispensam o trivial prato de cereais com leite pela manhã. Contudo, há alguns anos o conceito de alimento benéfico não é mais consenso na comunidade médica. Vários especialistas são contra o consumo do leite de vaca e ainda argumentam que o leite pode ser a causa de várias doenças e alergias como otite, dermatite, aumento de gordura abdominal, aumento na formação de muco, gastrite, refluxo, obstipação intestinal (intestino preso), entre outras.

O pesquisador português Pedro Bastos que faz mestrado em Nutrição em Dietética pela Fundação Universitária Iberoamericana (Funiber) é um dos que criticam o consumo do leite de vaca. Ele está escrevendo uma tese sobre os efeitos do leite na individualidade bioquímica e, baseado em vários estudos, chegou à conclusão de que o leite de vaca não é um alimento adequado para o consumo humano. Bastos argumenta que após a amamentação, o homem é o único mamífero que continua consumindo leite, e por isso desenvolve alguns problemas de saúde. “Só após a revolução agrícola – há cerca de 10.000 anos –, pela domesticação dos animais, é que o consumo de lacticínios tornou-se possível. O leite é, assim, um alimento relativamente recente na alimentação do ser humano (cujo genoma não sofreu alterações significativas nos últimos 10.000 anos), o que explica por que cerca de 70% da população adulta mundial apresenta intolerância à lactose – dificuldade ou possibilidade de digerir o açúcar do leite - que causa diversos efeitos adversos de ordem gastrointestinal como flatulência, diarreia, dor e desconforto abdominais”.

Bastos cita outros problemas de saúde causados pelo leite. Na sua análise, encontrou vários estudos a mostrar que lacticínios, como leite, iogurte e queijo fresco, apesar de possuírem um índice glicémico baixo (não provocam um aumento significativo da glicémia), aumentam muito a libertação de insulina pelo pâncreas, o que, segundo ele, pode causar resistência à insulina, que está na origem de várias problemas de saúde como síndrome metabólica (inclui diabetes tipo 2, hipertensão, aumento dos triglicéridos, diminuição do colesterol das HDL e obesidade abdominal), síndrome do ovário policístico, alguns tipos de câncer (próstata, mama e cólon), miopia e acne (que em 2 estudos epidemiológicos estava associada a maior consumo de lacticínios) .Muitos defensores do leite não aceitam isso e citam estudos que associam o consumo de leite magro à menor incidência de diabetes tipo 2 e síndrome metabólica, mas esquecem que existem outros estudos epidemiológicos que não revelam associação e outros que mostram o contrário.

E o único estudo de intervenção dietética (em crianças) existente revelou que a elevação do consumo de leite provocou resistência à insulina.Bastos menciona que o mais grave talvez seja o recente descobrimento da beta-celulina (BTC). Ele explica que a BTC é um factor de crescimento presente no leite bovino, que sobrevive à pasteurização, processamento (sendo também encontrada no queijo) e ao processo digestivo, tem a capacidade de entrar na circulação, através do receptor de EGF (Factor de crescimento epidérmico) existente nas células epiteliais do intestino e com o qual tem maior afinidade que o próprio EGF. Ao entrar na circulação sistémica, pode ligar-se ao receptor de EGF (EGF-R) que existe em diversas células epiteliais e aumentar a sinalização desse receptor.

No caso de diversos cancros (mama, cólon, próstata, ovários, pulmões, pâncreas, bexiga, estômago, cabeça e pescoço), sabe-se que há um aumento do número de EGF-R e da sinalização dos mesmos e que existem já ensaios clínicos de fase II para fármacos que bloqueiam o receptor e a sua sinalização. Apesar de ainda não terem sido realizados estudos sobre leite, BTC e câncer em humanos, é já conhecido o mecanismo e existem estudos epidemiológicos que ligam o consumo de lacticínios a alguns destes cancros (próstata, ovários, pulmões, estômago e pâncreas). “Além de câncer, a BTC poderá causar outros problemas. Por exemplo, pacientes com Parkinson apresentam alterações dos receptores referidos (EGF-R) no córtex pré-frontal e no estriato, o que afecta os neurónios onde se produz a dopamina e existem estudos epidemiológicos a associar o consumo de leite a esta doença”, afirma o pesquisador.

A nutricionista Daniela Jobst que está desenvolvendo uma tese de mestrado sobre constipação intestinal crónica como efeito da alergia ao leite de vaca pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), concorda com o pesquisador português. De acordo com ela, o leite de vaca é um dos alimentos que mais causa alergia. “Essa relação até já é feita pela maior parte dos profissionais da área da saúde atentos às causas das doenças, porém costuma-se ligar mais a intolerância à lactose, um tipo de açúcar natural que pode provocar reacções adversas em quem não tem ou produz pouca lactase, enzima que digere a substância. Sem dúvida, esta intolerância é comum e pode desencadear transtornos funcionais gastrointestinais como náuseas, diarreia e cólicas. A maior relação dos derivados de leite com as alergias tardias deve-se ao fato do organismo não digerir a beta-lactoglobulina e a caseína (proteínas existentes no soro leite)”, afirma. Os principais sintomas para quem desenvolve hipersensibilidade ao leite são relacionados ao intestino, azia, gastrite, sensação de estufamento, gases e alergias.

A nutricionista ressalta que os sintomas não se manifestam logo após o consumo da bebida, é chamada de alergia tardia, pois pode ocorrer horas ou dias mais tarde. Para detectar se a pessoa é hipersensível ao leite, é necessário fazer exames de sangue ou fazer dietas de exclusão, na qual os alimentos são retirados da alimentação e se descobre quais deles faz mal. A nutricionista Sandra Nogueira do Instituto Quantum também é contra o consumo de leite de vaca pelos seres humanos. De acordo com ela, as células de defesa atacam betalactoglobulina como se fossem um vírus, bactérias ou fungos, iniciando assim, uma reacção alérgica, levando as otites, sinusites, rinites, amigdalites e bronquites. Esta alergia gera inflamação das mucosas do ouvido, nariz, garganta e pulmão. Mais tarde, aparecem problemas cutâneos, eczemas, hiperactividade, enxaquecas, TPM e até depressão.


Leite e osteoporose

As controvérsias não param por aí. Outros especialistas defendem o consumo do leite e dizem que é um alimento indispensável para a saúde dos ossos. “O leite e seus derivados são os únicos alimentos capazes de fornecer cálcio na quantidade suficiente para o ser humano. Para se ter ideia, a couve seria, depois do leite e derivados, o segundo melhor alimento fonte de cálcio, porém uma mulher de 50 anos teria que consumir o equivalente a um quilo de couve por dia para atingir a recomendação de cálcio, uma quantidade inviável do ponto de vista prático”, explica Sergio Bontempi Lanzotti, médico reumatologista especialista em densiometria óssea. Ele ressalta que é importante ingerir proteínas por outras fontes, como carnes e ovos, porém o principal prejuízo na diminuição da ingestão de leite está relacionado à carência de cálcio.

Segundo ele, as fontes nutricionais de cálcio na dieta da população são, em maioria, obtidas por meio da ingestão de leite e derivados. Estudos científicos mostram que populações parecidas, mas que diferem em relação à ingestão de cálcio, têm massa óssea (formação de osso) e taxas de fracturas diferentes, levando a uma relação positiva entre massa óssea e ingestão de cálcio. Isso quer dizer que, quanto maior a ingestão de cálcio, melhor a formação de osso. Em uma análise de 139 artigos científicos publicados entre 1975 e 2000, relacionando a ingestão de cálcio e a saúde de osso, 50 de 52 estudos encontraram um melhor equilíbrio ósseo, maior ganho de osso durante o crescimento, perda óssea reduzida e risco diminuído de fracturas quando a ingestão de cálcio era maior.

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) coordenado pelo reumatologista Marcelo Pinheiro sobre ingestão de nutrientes relacionados à saúde óssea em mulheres e homens brasileiros analisou o cardápio de 2.344 adultos de todas as regiões do país. O foco foi à prevenção da osteoporose. O grupo de pesquisadores chegou à conclusão de que é preciso incentivar o consumo de boas fontes de nutrientes como cálcio, magnésio e as vitaminas D e K e, assim, afastar o risco crescente da osteoporose. Apesar de ser mais frequente entre mulheres, segundo estimativa da OMS (Organização Mundial de Saúde), a enfermidade já atinge um em cada cinco homens com mais de 50 anos no mundo. Um dado relevante levantado na pesquisa mostrou que os homens ingerem uma quantidade bem menor desses nutrientes comparados às mulheres.

É por isso que os casos de osteoporose masculina, no Brasil, devem aumentar. Cerca de 15% dos entrevistados já haviam sofrido fracturas e nem suspeitavam que o problema estivesse ligado à fragilidade dos ossos. Dos entrevistados, 70% eram mulheres e 30% eram homens acima de 40 anos. “Não podemos afirmar que o baixo consumo de cálcio é a causa da osteoporose, porque há outros factores que influenciam o desenvolvimento da doença como histórico familiar, baixa estatura e peso, tabagismo, alcoolismo, entre outros. Contudo o consumo de leite e derivados é essencial para a formação e fortalecimento dos ossos”, conclui o reumatologista. Ele diz que o consumo só deve ser evitado para aqueles que tiverem alergias ou intolerância à lactose. Bastos rebate a afirmação de que o leite é a essencial para prevenir a osteoporose. “É importante esclarecer que o cálcio é apenas um dos nutrientes necessários para a prevenção da osteoporose”.

Um desses nutrientes é o magnésio, cuja deficiência que pode ser causada por um consumo elevado de cálcio, o que pode diminuir a densidade mineral óssea e aumentar o risco de fracturas. O ideal é que a quantidade de cálcio represente, no máximo, o dobro da de magnésio. Ora, no leite e derivados, a quantidade de cálcio chega a ser 10 vezes superior a de magnésio. Também deve ser esclarecido que tão importante como a quantidade de cálcio ingerida é a quantidade de cálcio excretada e é sabido que alimentos com carga ácida positiva (libertam mais ácidos que bases) aumentam a excreção de cálcio e de magnésio. Os lacticínios, em especial os queijos, apresentam uma elevada carga ácida, pelo que não será de estranhar que, apesar de existirem vários estudos de curto prazo a mostrar que uma ingestão elevada de lacticínios pode beneficiar a saúde óssea, os estudos de longo prazo não mostram isso e um deles, o famoso Nurse´s Health Study realizado pela Universidade de Harvad (EUA) com enfermeiras envolveu mais de 77 mil mulheres e foi verificado que a ingestão de dois ou mais copos de leite por dia estava associado à maior incidência de fracturas da anca.

Ele lembra que o Japão, China e Gâmbia são países onde se regista um baixo consumo de lacticínios e cálcio, mas onde a incidência de fracturas é bem menor que na Europa e EUA, que ingerem mais lacticínios e cálcio. E, apesar de os lacticínios conterem mais cálcio que os vegetais, estes (em especial brócolos e couve) também contêm esse mineral e apresentam uma taxa de absorção do mesmo semelhante à dos lacticínios e a proporção entre o cálcio e o magnésio existente nesses vegetais é mais próxima do ideal.”, argumenta. Para desmistificar a ideia que leite é essencial para a saúde óssea, ele cita os homens do período pré-histórico que não consumiam leite depois que desmamavam e assim mesmo tinha uma densidade mineral óssea igual ou superior a do homem actual. “Provavelmente, isso se devia à exposição solar, que permite a síntese de vitamina D, o exercício físico regular e intenso e ao consumo elevado de vegetais”, avalia.


Polémica

Outro defensor do leite é o médico nutrólogo Edson Velardi Credidio, director da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia). Ele mostra vários dados que comprovam os benefícios do leite como uma análise de diversos trabalhos, recém-publicada no periódico científico americano The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, que mostra uma associação entre o consumo de alimentos ricos em cálcio e a diminuição do risco da síndrome. Ele vê com desconfiança estudos que dizem que o leite faz mal. “Hoje, infelizmente, estamos passando por transformações em que as ‘informações’, às vezes rotuladas de científicas, são simplesmente ‘encomendadas’ e, muitas vezes, não sabemos se certas pesquisas são ou não procedentes ou fidedignas ou se estão respondendo a uma reivindicação de algum órgão com objectivos escusos”, critica. Para o médico, os profissionais de saúde podem estar equivocados ao acusar o leite como sendo a causa de várias doenças. “Se uma criança espirra, tem otite ou tosse, alguns médicos já dão o diagnóstico que é alergia à lactose, e crucificam o pobre do leite, retirando-o da alimentação do paciente. Quem fala mal do leite deveria estudar e se instruir mais antes de lançar estes conceitos erróneos que só prejudicam os seres humanos”, alfineta.

 

Unanimidade do leite materno

Todos os profissionais são unânimes ao afirmar que o melhor alimento para o bebé até o primeiro ano de vida é o leite materno. Sua composição é específica e subtilmente modificada de acordo com a necessidade do bebé. Além de rico em gordura, proteína, carbohidratos, minerais, vitaminas, enzimas e imunoglobulinas, o leite materno protege contra várias doenças, infecções e alergias e possui factores de crescimento que aceleram a maturação intestinal, também prevenindo alergias e intolerâncias. De acordo com a nutricionista Daniela Jobst, o leite de vaca também contém factores imunológicos de óptima qualidade, mas para o bezerro, pois esses factores só funcionam para a mesma espécie. “Mesmo que alguns destes factores possam funcionar, serão destruídos pela armazenagem e fervura do leite”, explica. Ela cita um estudo em Cambridge, Reino Unido, com 926 bebés que foram acompanhados por cinco anos. Foi demonstrado que quanto maior o tempo de consumo do leite materno, maior o nível de mineralização óssea aos cinco anos, com uma diferença de até 38% em relação aos que receberam fórmulas infantis, apesar das mesmas terem uma proporção maior de cálcio. Para mães que não têm leite ou depois do desmame, ela indica o leite de soja hipoalergénico, ou seja, de fácil digestão por não ter as proteínas alergénicas do leite como caseína e beta-lactoglubulina.

Saturday, 16 May 2009

KEFIR


Kefir é uma bebida ácida do Cáucaso, obtida pela fermentação do leite de vaca. Os habitantes do Cáucaso conhecem os efeitos do Kefir há muito tempo. Bebem Kefir em vez de água e comem Kefir desde a infância. Entre eles, pessoas com 110 a 150 anos de idade não são uma raridade. Não conhecem tuberculose nem câncer e não sofrem de problemas digestivos.

Kefir é uma bebida feita de leite fermentado em temperatura ambiente, entre 10°C e 25°C, por uma colónia de fermentos conhecida como "Grãos de Kefir". Originária do Cáucaso, só foi introduzida no resto do mundo no início do século XX . O metabolismo dos microorganismos do fermento consome a lactose e reduz a caseína , albumina e outras proteínas aos aminoácidos que as constituem, além de sintetizar ácido lácteo, a lactase e outras enzimas que ajudam a digerir a lactose restante depois da bebida ingerida. Ainda modificam os sais de cálcio para formas mais facilmente absorvidas pelo organismo humano.

Preparado hoje em dia com leite bovino mas anteriormente também com leite de cabra, ovelha, búfala, égua e até camela. Diferentemente do iogurte que é fermentado apenas pelo lactobacillus e exige altas temperaturas, o Kefir é fermentado por mais de quarenta tipos diferentes de microorganismos, incluindo os fermentos do pão, cerveja, vinagre, queijo, vinho, picles, chucrute , etc.

O Kefir é o produto cuja fermentação se realiza com cultivos acidolácticos elaborados com grãos de Kefir, Lactobacillus kefir, espécies dos gêneros Leuconostoc, Lactococcus e Acetobacter com produção de ácido láctico, etanol e dióxido de carbono. Os grãos de Kefir são constituídos por leveduras fermentadoras de lactose (Kluyveromyces marxianus) e leveduras não fermentadoras de lactose (Saccharomyces omnisporus, Saccharomyces cerevisae e Saccharomyces exiguus), Lactobacillus casei, Bifidobaterium sp e Streptococcus salivarius subsp thermophilus.

O Efeito Probiótico do Kefir:

Muito se tem dito sobre o Kefir sem fundamento científico. O que já se comprovou foi a limpeza da membrana intestinal, trazendo grande alívio para muitos sintomas que confundem os diagnósticos médicos. Apesar de pobre na maioria das vitaminas, a vitamina D é muito abundante. Os minerais também não se apresentam em quantidades expressivas, apenas o Cálcio em forma de sais mais bem absorvidos que no leite cru. O maior mérito do Kefir está na alta qualidade e quantidade de aminoácidos e

na eliminação de microorganismos patogénicos da flora intestinal e de todo o aparelho digestivo.

A principal virtude do Kefir é restabelecer a flora intestinal normal, tão importante para uma boa digestão e assimilação dos nutrientes ingeridos. Para compreender este efeito, é bom ampliar um pouco mais o tema.

Quando a criança nasce, o intestino é estéril, mas cedo são introduzidos microorganismos através do alimento. Em crianças que mamam há grande número de lactobacilos, gerando-se assim um pH inadequado para a proliferação dos germes da putrefacção. Em crianças alimentadas com biberão, dá-se uma flora mais mista, sendo menos proeminentes os lactobacilos.

Quando se alteram os hábitos alimentares para o padrão adulto, a flora muda, pois a dieta tem uma marcada influência sobre a composição relativa da flora intestinal e fecal. Uma alimentação rica em proteína animal produz putrefacções intestinais; altera-se a flora bacteriana normal, aparecendo uma quantidade excessiva de germes da putrefacção. No intestino superior do adulto predominam os lactobacilos, mas no íleo inferior e o ceco, a flora é fecal. As bactérias intestinais são fundamentais na síntese das vitaminas B e K, na conversão de pigmentos e ácidos biliares, na absorção de nutrientes e no controle dos microorganismos patogénicos (qualquer organismo vivo capaz de causar doença).

O Kefir transforma a flora intestinal putrefacta, substituindo-a pelos bacilos lácticos de propriedades anti-sépticas. Também produz a secreção de uma substância antipútrida que persiste ainda após o desaparecimento dos bacilos. É dizer que muda a putrefacção (prejudicial para o organismo humano) pela fermentação láctica.


Segundo investigações da Universidade da Prata, os microorganismos presentes no Kefir combatem particularmente a Escherichia coli, temida bactéria responsável de afecções como a síndrome urémico hemolítico, que pode ter consequências letais em crianças pequenas. Dado que a ingestão de Kefir aumenta a protecção contra estas infecções, começou-se a introduzi-lo na dieta infantil.

O Kefir não só dificulta a povoação de micróbios patogénicos no intestino, como também aporta abundante ácido láctico. A sua acção se estende até o estômago, ao qual estimula. Seus efeitos se derivam da acção enzimática e antitóxica que apresenta. O restabelecimento da flora normal traz consigo uma regulação da função intestinal. Neste aspecto é importante o tempo de cultivo: o de menos de 24 horas é laxante (deve tomar pela noite, durante algumas semanas), o de 72 horas é adstringente e o intermédio (48 horas) resulta neutro.


O Kefir apresenta propriedades antivirais, antifúngicas e antibióticas, estimulando o sistema imunológico. Também possui efeitos aperitivos e afrodisíacos. Foi utilizado com sucesso em doenças tais como cálculos renais, hipertrofia prostática, diabetes, artritismo reumático, enfarte de miocárdio, esclerose múltipla, anemia, asma, bronquite, etc.

Está especialmente indicado em doenças do aparelho digestivo, tais como úlceras, colites ulcerosa, intolerância gástrica, etc. É muito útil em uso externo para patologias dérmicas (acne, eczemas, psoríase, alergias, etc.), dado que é um poderoso anti-séptico que ajuda a curar feridas. Mostra-se muito efectivo na prevenção e cura de doenças produzidas pelo vírus do herpes. Sabe-se que o herpes tipo II participa na génese de distintas doenças, tais como câncer, artrites reumáticas, patologias renais, tromboembolias, alergias cutâneas e asmáticas, esquizofrenia, Parkinson e diabetes. Além de estimular o sistema imunológico, o Kefir estimula outras funções orgânicas, melhorando o estado da pele e cabelo.


Pelo exposto, o Kefir é altamente recomendável em doenças do tipo nervoso, úlceras internas, catarros branquiais, escleroses, enfarte cardíaco, problemas de vesícula, fígado e rins, icterícia, doenças do estômago e intestinos, diarreias, ressecamento, inflamações, leucemia, anemia, dermatites, psoríase, acne, eczemas, etc. O seu uso continuado produz muito bons efeitos em convalescença após graves doenças. Também dá bons resultados em alergias de pele e nas doenças femininas do baixo-ventre.

O Kefir previne putrefacções intestinais, contribui à depuração do organismo, normaliza a pressão arterial e ajuda no combate a obesidade.

A vantagem do Kefir de água, quando comparado ao de leite, é que pode tomar-se em grande quantidade. Deve-se beber diariamente, pois não altera a digestão e passa muito rapidamente ao sangue Quando se tem afecções crónicas, deve-se tomar grande quantidade pela manhã, ao meio-dia e pela noite (1/2 litro cada vez). De todo modo não se pode considerar o Kefir como um remédio universal e nem de efeito imediato; é um grande auxílio para o organismo pelo seu efeito desintoxicante, regenerador da flora intestinal benéfica e estimulador das defesas naturais. Mas quando existe doença, deve-se sempre ir ao médico.


Preparação:

Colocamos o fungo do Kefir num vidro com leite e deixamos descansar a uma temperatura de 18ºC a 20ºC durante, no máximo, 12 a 40 horas. Conforme o tempo de fermentação, o leite engrossa mais ou menos e produz um efeito diferente.

Para ¼ de litro de leite, precisamos de um volume de fungos correspondente ao tamanho de uma noz. Sobre os fungos despejamos leite morno (mais ou menos 20ºC), sem nata. Fechamos o vidro hermeticamente. Conforme a necessidade, os vidros ficam de 12 até, no máximo, 40 horas descansando no armário. O vidro com Kefir não pode ser guardado na geladeira, nem ficar exposto à luz. Precisa ser guardado no armário. Entretanto, o líquido coado, sem o fungo, pode ser guardado na geladeira.

Antes de usar o Kefir pronto, agitamos o conteúdo do vidro e coamos (a peneira não deve ser de metal). O fungo que ficou na peneira é devolvido ao vidro e novamente regado com leite. O fungo precisa ser lavado, pelo menos uma vez por semana, com água morna. Também o vidro.

O Kefir precisa dos mesmos cuidados que a carne crua, pois deteriora com a mesma facilidade. O leite precisa ser fresco, nunca azedo. O fungo não pode ser guardado sem leite, senão morre. Seco, isto é, sem leite, o Kefir conserva-se somente durante 48 horas. Após este período, ele se decompõe. Forma-se um líquido em que bóia uma massa que não pode mais ser usada.

O Kefir pode ser tomado diariamente, de preferência ao jantar, ou como refeição. Em caso de doença grave, deve-se tomar um litro por dia. O Kefir não é somente um remédio mas também um alimento muito nutritivo. Pode ser para tempero de saladas e molhos.

O fungo se multiplica dobrando de volume em 3 a 4 semanas. Então, dividimos e passamos adiante. Não destrua o fungo, pois é muito valioso! Dê aos seus amigos e conhecidos.

DOENÇAS

Problemas nervosos

1 litro, diariamente, às refeições. Em casos graves, durante a vida inteira.

O sono aparece sem necessidade de medicamentos. O apetite volta. Depressões desaparecem.

Úlceras do aparelho digestivo

1 litro, diariamente, enquanto necessário.

Comprovou-se o desaparecimento de úlceras do estômago após dois meses.

Bronquite

1 litro por dia, enquanto necessário.

Asma

1 litro por dia.

O doente não deve tomar medicamentos.

Anemia

1 litro por dia.

No adulto, o sangue se torna normal em 3 meses.

Erupções, eczemas

½ litro por dia. Também passar Kefir nas feridas e deixar secar. Não remover durante a noite.

Pela manhã, limpar o rosto e as mãos. Mesmo eczemas graves desaparecem após 15 dias.

Arteriosclerose

1 litro por dia.

A esclerose melhora aos poucos e não volta.

Bexiga e rins

1 litro por dia, enquanto necessário.

Pressão alta

1 litro por dia.

Após dois meses, a pressão volta ao normal.

Rins

1 litro por dia.

Vesícula biliar

1 litro por dia.

O Kefir cura, enquanto o leite e o creme de leite são prejudiciais e provocam cólicas.

Infecções

1 litro por dia (e controlar alimentação).

Hepatite

1 litro por dia.

Usamos somente Kefir de 12 horas, de preferência antes de dormir, durante 3 a 4 semanas.

Prisão de ventre

1 litro por dia, usando apenas Kefir de 12 horas.

Quando a evacuação normalizar, continuar com o Kefir de 24 horas.

Observe:

Kefir de 12 horas provoca boa digestão

Kefir de 36 horas provoca prisão de ventre

Acima de 20ºC o fungo age mais depressa

Fontes:

http://www.iogurte.com/index.php?action=noticiatipo&subaction=1&id_noticia=89

http://pt.wikipedia.org/wiki/Kefir

http://paginas.terra.com.br/saude/kefir

http://korgsgraveyard.blogspot.com/2006/10/kefir-kefir-uma-bebida-feita-de-leite.html

Nota: a Profª Débora Valladão tem Kefir de leite para doar, os contactos são:

96 391 84 16 ou 21 240 26 00 (trabalho - das 10.00 às 20.00h), em Massamá.

Espirulina / Spirulina



Espirulina


Spirulina maxima Setch. ex Garner


Família: Cianofícea




Nomes vulgares: Alga-azul-e-verde




Habitat e distribuição: Alga azul-esverdeada de filamentos microscópicos móveis, multicelulares, espiralados não ramificados. Originária das lamas alcalinas do lago Texcoco (Máexico), é hoje obtida por cultura.




Partes utilizadas: Alga inteira.




Constituintes: Contém de 50% a 75% de proteína, é rica em vitamina A, ferro, cálcio, magnésio, fósforo e em micro minerais extremamente importante para a nutrição. A Espirulina é uma alga unicelular formada por células grandes que cresce em águas alcalinas ricas em minerais. Contém clorofila A, carotenóides e pigmentos azuis (ficocianinas) razão pela qual pertencem ao grupo das algas verde azuladas ou cianobactérias. Possui alto índice de digestibilidade com uma absorção de 85%.




Propriedades: Devido ao alto conteúdo de proteínas e mucilagens é usada para reduzir o apetite. As mucilagens protegem as mucosas e actuam como laxante mecânico. Os sais minerais, vitaminas, aminoácidos e ácidos gordos justificam o seu valor como complemento dietético.




Usos Etnomédicos e Médicos: Em estados de desnutrição ou grande actividade física, caso dos desportistas. Obstipação, gastrites, anemia, hipotiroidismo. Coadjuvante em tratamentos para emagrecer.




Principais indicações: Complemento alimentar em dietas desequilibradas ou de emagrecimento. Anemias; hipotiroidismo.




Contra indicações: Hiperuricémia. Hipertiroidismo.




História: Conforme relatos do Frei Toribo de Bonavente, em 1524 a Espirulina já era utilizada pelos Astecas que a preparavam como um caldo, adicionando a tudo o que comiam. Pesquisada por vários anos no Japão, França e EUA, é saudada como uma das maiores descobertas no campo da alimentação naturalista deste século.

Friday, 15 May 2009

ÉRAMOS FRUGIVORISTAS E COMO DEIXÁMOS DE SÊ-LO


Factor número um

No início da nossa evolução em direcção ao que viria a denominar-se homo sapiens, nós éramos vegetarianos. Vivíamos nas árvores e alimentávamo-nos de frutas e folhas, como ainda o fazem actualmente muitos dos nossos parentes primatas. Para comer, não precisávamos de trabalhar. Aliás, morávamos dentro de uma salada! Além disso, a vida era só comer, brincar, reproduzir, dormir, acordar, estender o braço e alcançar a refeição. Noutras palavras, estávamos no paraíso.

Na verdade, a Bíblia refere-se de forma inequívoca a esse Éden (Génesis, versículos 16 e 17). Fomos postos num jardim pleno de árvores frutíferas e podíamos comer de todas elas, menos de uma, a da Noção do Bem e do Mal. Comendo desta, ficaríamos impedidos de comer os frutos da Árvore da Vida.


Factor número dois

Tudo estava bem até que um belo dia fomos expulsos do paraíso por um incidente climático no qual as árvores escassearam. Assim, tivemos que descer para o chão. Acontece que nós éramos animais arborícolas e não terrícolas. No chão, as nossas pernas não serviam para grande coisa. De facto, até hoje, milhões de anos depois, continuamos incompetentes quanto ao caminhar sobre o solo.

Levamos mais de doze meses para aprender a andar, quando qualquer herbívoro irracional nasce, põe-se de pé e corre com apenas algumas horas de vida. Duas décadas depois, continuamos a tropeçar e a cair por tudo e por nada. Temos músculos enormes nas pernas e coxas, que nos ocupam uma considerável quantidade de sangue e energia, mas qualquer animalzinho dez vezes menor corre mais do que nós.

Perdendo o nosso habitat nas árvores e sem ter capacidade para correr no solo, ficamos à mercê dos predadores. Passámos a refugiar-nos nas cavernas. Imagina o trauma dessa espécie que estava acostumada a uma vida lúdica e sem preocupações, sempre a saltar e a brincar por entre os ramos verdejantes, o céu azul e os raios do sol, ser obrigada, quase que repentinamente, a viver no escuro e com medo dos predadores. Não foi ao acaso que o ser humano associou essas duas coisas e, para ele, a escuridão passou a ser sinónimo de medo.

Com a escassez dos tantos vegetais sobre a Terra, os nossos ancestrais foram compelidos a mudar a sua dieta. Passaram a comer o que houvesse. Tornaram-se colectores, apanhando uma castanha aqui, uma raiz ali e uma lesma acolá. Com fome, come-se qualquer coisa. O desespero da fome e de faltar alimento para a prole arraigou-se no nosso psiquismo de forma tão atroz que desenvolveu uma síndrome que carregamos até hoje e à qual denomino “síndrome do supermercado”. Ela impele-nos a ir colectando nas prateleiras mesmo aquilo de que não necessitamos, a fim de levar para a nossa toca, afinal, “pode vir a ser necessário”.


Factor número três

Se as nossas pernas são incompetentes, em compensação as nossas mãos são únicas.

Desenvolvemos a habilidade de segurar, pois, ao nascer, o filhote precisava contar com o instinto de se agarrar nos ramos da árvore e nos pelos da mãe, caso contrário cairia lá de cima. Até hoje os nossos recém-nascidos conservam esse reflexo, agarrando fortemente os dedos dos pais ou uma vareta que lhe seja posta nas mãos. Podemos mesmo levantar o bebé pela vareta, pois ele não a soltará e não cairá (Não tentes fazer esse teste em casa. Pede ao teu pediatra que o demonstre, se ele achar seguro).

Na verdade, nós não evoluímos como espécie graças ao desenvolvimento do cérebro e sim graças à oposição do polegar. Este permitiu que agarrássemos os objectos por puro instinto. Com isso, mais tarde iríamos tornar-nos homo instrumentalis, pouco diferentes dos símios que também usam instrumentos. A partir de então, teria ocorrido uma demanda neurológica que exigiu do cérebro o seu aprimoramento. Mas, antes disso...


Juntando os três factores

Juntando os três factores acima, o que nós temos é o seguinte panorama: um pithecus faminto, acocorado; um galho seco caído no chão ao seu lado; e um almoço a passar a correr.

Quantas vezes esta cena deve ter-se repetido ao longo de, digamos, cem mil anos? Numa dessas incontáveis vezes, por mero instinto de agarrar, o pithecus segurou o galho seco e usou-o como instrumento. Descobriu, surpreso, que aquilo ampliara a sua força, multiplicara a sua velocidade e alcançara mais longe, aonde os braços não chegavam. Pronto. O almoço estava espatifado e tinha-se inaugurado uma nova era: a do carnivorismo.


CARNIVORISMO

Agora, usando pedaços de pau, o primata bípede a caminho da evolução passou a abater pequenas presas, com as quais alimentou a sua família. A partir de então, foi rápido deduzir que, se amarrasse uma pedra na extremidade do pau, ele poderia abater animais maiores. Necessitamos apenas de algo como 50.000 anos. Bem, nós somos assim até hoje. Para mudar um paradigma precisamos de esperar que morram todos e mais algumas gerações. Contudo, um dia lá estávamos nós com machados e lanças de pedra lascada. Começara a destruição em massa da fauna e da flora. Nada mais deteria essa praga chamada bicho homem na sua investida contra a natureza.

A prática da caça estimulou algumas tribos a migrar atrás das manadas e, assim, muitos humanos tornaram-se nómadas e exploradores. Com isso, essa bactéria planetária espalhou-se por todo o globo.

No entanto, nós não fomos projectados para comer carnes. Animais vegetarianos quando comem carnes adoecem mais e morrem mais cedo. Não dispomos de sucos gástricos nem intestinos para processar carne. A maior demonstração de que não nascemos para caçar é a nossa virtual falta de ferramentas naturais para abater outro animal. Não temos garras, nem presas, nem veneno, nada.


Experiência científica

Há uma experiência muito convincente que costumo fazer na sala de aula e podes reproduzi-la na tua casa.

Material necessário: um ser humano e uma vaca. Coloca o ser humano diante da vaca. Pede que o ser humano mate a vaca com os recursos que a natureza lhe dotou, ou seja, a sua força, as suas mãos, os seus dentes, etc. O ser humano vai tentar por todos os meios, vai querer estrangular a vaca, vai dar socos na vaca e não vai conseguir matá-la. Talvez consiga aborrecê-la e acabe por levar uma chifrada. Fim da experiência científica. Conclusão: o ser humano não foi projectado para caçar. Além do mais, na natureza ele nem conseguiria se aproximar o suficiente para agarrar o bicho, pois também fomos privados da velocidade que o predador necessita.

Contestação da validade da experiência acima

O ser humano contrapõe que ele é um animal inteligente. Como tal, teve condições de fabricar ferramentas e, com elas, caçar. Já não é lá muito verdadeira essa afirmação, pois estamos a tentar provar que por natureza não fomos dotados dessas ferramentas, mas vamos aceitar a contestação e refutá-la com outra demonstração.


Impugnação da contestação

Desta feita, entregamos uma ferramenta de abate – uma faca – e solicitamos que o sujeito mate a vaca na nossa frente para provar que, com instrumentos, a experiência anterior ficaria invalidada. Mas, então, o que é que verificamos estupefactos? Noventa e nove por cento dos humanos não têm coragem de enfiar a faca na jugular do bovino! Seria prova suficiente de que não somos predadores naturais? Pelo sim, pelo não, vamos além. Agarro na faca da mão daquele espécime covarde. “Se tu não tens coragem, mato eu a vaca.” Introduzo a lâmina na garganta da destinada. O sangue jorra. E o ser humano... Onde está ele? Ah! Lá está, no canto, a vomitar!

Se fosse carnívoro, o simples cheiro do sangue ou a sua visão, já daria água na boca. Mas, se ele não é capaz de matar e ainda lhe embrulha o estômago se outro mata. Isso demonstra claramente que os nossos instintos são bem diferentes. Aquele reflexo de “pôr para fora” é exactamente o oposto da reacção de comer. Talvez não sejamos carnívoros. Quem sabe, somoscarniceiros?


CARNICEIRISMO

Há um sub-ramo denominado carniceirismo, ainda mais prejudicial que o carnivorismo. O carnívoro é o animal que mata a própria presa e a devora com o sangue ainda quente. O carniceiro é o animal que não tem capacidade ou coragem de matar a própria presa. Espera que outro a mate e devora-a mais tarde, com o sangue já frio.


Exemplos de carnívoros: leão, leopardo, onça, tigre, etc.

Exemplos de carniceiros: abutre, urubu, hiena, homem... É, parece que estamos em má companhia. Afinal, os seres humanos não matam a própria presa e devoram-na com o sangue já frio. Com uma diferença. Os abutres, os urubus e as hienas devoram as carnes em início de putrefacção, com algumas horas do animal morto. Os humanos comem as carnes com meses ou anos de armazenamento da carne nos frigoríficos. Quando ela é retirada para consumo está verde. Torna-se necessário, então, revitalizá-la com nitratos, nitritos e salitre, que devolvem a coloração avermelhada. Os dois primeiros são conhecidos cancerígenos. Já o salitre é célebre pelo seu uso em colégios internos, mosteiros e quartéis, pela sua capacidade de reduzir o estímulo sexual.

O grande problema com este tipo de alimentação, é que não fomos projectados para digerir carnes. Há diferenças estruturais intransponíveis entre o animal projectado para comer carne e o projectado para comer vegetais.

A doença da vaca louca, que espalhou o pânico na Europa no final do século XX, foi gerada pelos criadores de gado ao adoptar uma ração para bovinos feita com restos de carnes e ossos. Tais detritos impróprios para o consumo de herbívoros foram processados quimicamente para adquirir cheiro e gosto que os animais não rejeitassem.

O resultado foi uma doença degenerativa do sistema nervoso dos animais que, obviamente, contaminava os seres humanos.

Este é um grave inconveniente da ingestão de animais mortos. As doenças de animais são transmissíveis aos seres humanos. Isso também ocorreu com a pneumonia asiática, contraída pela ingestão de aves, a qual devastou aldeias inteiras na China e fez vítimas no mundo todo; depois, outra doença, a gripe do frango, espalhou-se pelo planeta matando por toda parte.

Quanto às mutações, há um documentário denominado Animals are beautiful people (traduzido como Os animais também são seres humanos) de Jamie Uys, África do Sul, que, apesar da sua linguagem despretensiosa, tem um relevante valor científico. Ele mostra uma espécie de cegonha que alterou a sua dieta, passando a ser carniceira, e sofreu uma horrenda mutação que a fez assemelhar-se a um abutre.

Por outro lado, um documentário da Discovery mostrou o caso oposto. Desta feita tratava-se de um certo tipo de abutre que trocou o sistema alimentar e deixou de comer carniças, passando a nutrir-se do fruto da palmeira. Também essa espécie sofreu uma mutação, só que para melhor. Deixou de ter a aparência de abutre e passou a contar com uma plumagem muito mais linda.

Todos estes precedentes fazem-nos questionar: nossa espécie deve ser muito feia. Desde que trocamos o frugivorismo pelo carniceirismo, certamente passamos por uma terrível mutação.

Por exemplo, somos um animal estranho, com uns poucos tufos de pêlo, aqui e ali, e o restante do corpo sem pêlos. Imagina se fosses adquirir um animal de estimação e te oferecessem um cão que não tivesse pêlos, a não ser um tufo entre as pernas, outros sob as axilas e um pouco na cabeça, sendo que esse não parasse mais de crescer? Devemos ser muito feios como espécie. Só não percebemos isso porque nascemos num meio ambiente em que todos os demais também eram horripilantes. Mas o nosso cãozinho deve perceber que há algo estranho com aquele dono que não tem uma linda pelagem no corpo. Se falasse, com certeza diria: “Como o meu dono é feio! Mas é tão bonzinho, dá-me comida, faz-me miminhos, fala comigo como um retardado mental...”

Temos um outro exemplo que nos sugere ter ocorrido alguma grave mutação na nossa espécie. Somos o único tipo de animal que mata qualquer coisa que se mova, pelo simples prazer de matar. A designação elegante que se dá a isso é caça. Caça à raposa, caça ao coelho, caça ao tigre, tiro ao pombo, ao pato, e por aí vai. Mas não matamos apenas na caça desportiva. Se um insecto se atrever a mover-se perto de nós, será impiedosamente esmagado. Crianças matam passarinhos instintivamente com as suas pedradas e fisgas. Nada pode ficar vivo nas proximidades de um homo “sapiens”.

O facto é que comer defuntos não é para pessoas sensíveis. Se pensarmos no que estamos a fazer, paramos imediatamente de devorar cadáveres de animais mortos. Urge que o nosso estômago deixa de ser um cemitério.


OMNIVORISMO

Omnivorismo é comer tudo (omni). A passagem do carnivorismo para o omnivorismo processou-se por observação de muitos clãs, de que os que inseriam vegetais na alimentação tinham mais vitalidade, viviam mais tempo possuíam pelos mais bonitos. Ninguém precisa ser cientista para perceber isso. Basta observar a sua descendência.

Passei por uma experiência interessante que me demonstrou como as pessoas da terra tem essa percepção. Em 1976 o prefeito da cidade de Santo António do Pinhal, no caminho para Campos do Jordão, doou-nos uma montanha. Ingénuos, aceitamos aquele elefante branco. Na época, não tínhamos verba nem para custear o combustível dos automóveis, quanto mais para construir o acesso e edificar nosso retiro!

Acabamos por perder a montanha. Mas ao chegar lá, cheios de ilusões, fomos conversar com um antigo morador, um senhor bem humilde. Ele teve a gentileza de recomendar que bebêssemos de uma determinada fonte e não de uma outra, pois a sua água não era boa.

Perguntei-lhe se havia mandado analisar a água. Ele disse-me que não precisava. Quando os seus filhos bebiam daquela, ficavam doentes.

Da mesma forma, e com aquela agilidade que nos caracteriza, em alguns milénios a maior parte da humanidade percebeu que a carne é um veneno para a nossa espécie e melhorou o sistema alimentar, acrescentando outros alimentos. Passou a comer de tudo.

Se, por um lado, isso constituía um aperfeiçoamento, já que os nossos antepassados passavam a ingerir menos carnes, esse sistema ainda não era ideal. A mistura de alimentos produz fermentação, a qual gera odor nauseabundo.

Experimenta colocar num saco plástico um pouco de tudo o que ingerires na próxima refeição. Acrescenta um cálice de ácido gástrico (se não tiveres, espreme um limão). Em seguida, coloque por meia hora num forno a 36 graus centígrados, a temperatura do teu corpo. Depois, abre e cheira.

Isso é o que está a acontecer lá dentro do teu tubo digestivo. Mas, para onde vai esse odor? Pensavas que ele se evaporava por obra e graça do Espírito Santo? Nada disso. Ele sai pelo hálito, pelos poros, pela transpiração, pelas axilas. Encara a realidade: n´so cheiramos mal! Os animais omnívoros cheiram mal. Compara: o cheiro do porco, o do bode. Ah! Esqueci-me: tu também comes porco.

Todos os animais identificam-se pelo cheiro. Dois animais encontram-se e cheiram-se, até para saber se são da mesma espécie. Se forem macho e fêmea conferem os cheiros a fim de ver se a química combina. No entanto, o ser humano não reconhece como da sua espécie o cheiro que exala.

Façamos um teste: Os Animais não tomam banho. Agarremos um sapiens e deixemo-lo sem banho por, digamos, um mês. Depois, ofereçamo-lo para trocar umas carícias com outro, de sexo oposto, da sua espécie. Como será que reagias se fosses escolhido para participar dessa experiência, fosse como o sem-banho, fosse como o que depois teria de olfactá-lo?

Isso explica porque o ser humano não apenas toma banho com muita frequência (em alguns países, todos os dias!) mas também esfrega, todas as vezes, soda cáustica no corpo. Sim, pois esse é um dos componentes dos sabonetes. Não satisfeito com o banho e a esfregadura com o bastão de soda cáustica, este pobre mamífero ainda tem o cuidado de passar sob os braços e nos pés uma substância que tem a função de inibir odores, um tal de desodorizante.

Mas isso não basta. É preciso mascarar algum cheiro que, apesar de todos esses cuidados, possa aparecer. Então, o desnaturado animal acrescenta no seu corpo perfumes de outras espécies de animais (boi almiscarado, âmbar do cachalote, civete do gato selvagem) ou de árvores (sândalo, cipreste) ou de erva (vetivert) ou de flores (rosa, jasmim, etc.). Qualquer coisa serve, desde que não seja denunciado o cheiro que ninguém identifica como sendo da nossa espécie.

Foi o cheiro do homem branco que salvou os índios da extinção e levou-os a sustentar uma guerra de 500 anos. Pensa bem. Como é que silvícolas nus, que não conheciam o aço nem a pólvora, puderam sobreviver e lutar durante séculos com os conquistadores que tinham à sua disposição equipamento militar e a arte da guerra? Vou te dizer como foi que os aborígines sobreviveram. Quando passas uns dias na quinta ou acampado no meio do mato e, depois, voltas para a cidade o teu olfacto fica bem mais sensível e costuma-se incomodar muito com os maus odores. Tu és um urbanóide e passas-te apenas alguns dias no campo ou na serra, mas já ficas-te mais sensível. Agora, imagina um indígena que nasceu e viveu na floresta toda a sua vida. Ele consegue sentir o cheiro de cada flor, árvore, insecto, animal ou réptil a uma boa distância. Pois bem. Como será que cheiravam os conquistadores portugueses e espanhóis dos séculos XVI e XVII, que comiam todas aquelas porcarias, bebiam vinho e suavam como uns suínos, a caminhar durante dias e meses no calor tropical, na floresta húmida, sob aquelas roupas, armaduras e botas de bandeirante? Uma curiosidade: quando iam defecar no mato, dispunham de papel higiénico? Acrescente-se que não se usava tomar banho. Era pecado. Acredita se quiseres, até o século XX, aqui mesmo no Novo Mundo, em escolas religiosas as alunas internas eram obrigadas a tomar banho de camisola, para atenuar a iniquidade.

Concluindo esta longa exposição: quando o colonizador ainda estava a quilómetros de distância os índios, com o seu olfacto hiper-sensível, percebiam a sua aproximação.

O ameríndio sentia um cheirinho putribundo no ar e perguntava para ao outro:

– Curumim, foste tu?

E o curumim respondia:

– Eu, não.

Então, era homem branco que estava a algumas léguas, vindo na direcção do vento.

Mandavam as mulheres fugir com as crianças e armavam ciladas, muito bem escondidos numa floresta que conheciam como a palma das suas mãos. Era guerra de guerrilha. Emboscavam e fugiam. Foi assim que, graças ao fedor do homem branco, os selvagens salvaram-se e conseguiram sustentar uma guerra de cinco séculos, usando arco e flecha contra aço e pólvora. Pode-se dizer que venceram, pois sobreviveram.

Conclusão: o Omnivorismo não é ideal.


CEREALISMO

Migrando por melhores campos de caça, o ser humano acabou por se espalhar por todo o globo, inclusive colonizando territórios agrestes e insalubres como a Europa, em que a variação de temperatura só deixou vivos os mais fortes. Em várias cidades europeias, no verão a temperatura pode ultrapassar os 30o C e no inverno neva. Sob a neve, era difícil conseguir alimentos. A melhor solução era armazenar para o inverno, e o alimento ideal para ser armazenado é o cereal. Em determinadas regiões implantou-se um novo sistema alimentar, o cerealismo.

O cerealismo por si só, como sistema nutricional definitivo, não é muito atraente. Mas ainda iria piorar muito com um modismo que assolou o mundo a partir de 1960.

No Século XX um japonês, a viver em Paris, codificou um novo sistema surrealista, digo, cerealista, radical, nipocêntrico. Era a macrobiótica. Alguns dos seus princípios eram:

• Não beber água, jamais. Chá, só quente, sem açúcar, e apenas umas ou duas xícaras por dia.

• Frutas estavam proibidas. Eram “muito yin”.

• Batata era considerada um veneno. Quem comesse morreria.

• Em compensação deveríamos adoptar shoyu, missô, tofú, algas marinhas e arroz na tigelinha. Ou seja, o mundo deveria converter-se aos gostos culinários japoneses.

• Praticamente tudo o que fosse ingerido deveria ser cozido, com excepção de um tempero verde, usado com parcimónia.

• Qualquer coisa doce, mesmo o mel, era interditada, mas abusava-se do sal. Tudo era salgado: o gersal (tempero à base de gergelim moído com sal), shoyu (molho de soja salgado), missô (pasta de soja salgada). Até no chá recomendava-se dissolver uma ameixa umeboshi salgada. Isso associado à restrição quase total de água, comprometia seriamente os rins.

• O prato era constituído por arroz integral cozido com pouquíssima água, o que o tornava duro (quanto mais duro, melhor, ficava “mais yang”). Sobre o arroz, colocava-se um pouco de gersal e de tempero verde. Acompanhava um outro prato denominado secundário, constituído por legumes cozidos com shoyu, o que os deixava castanhos. Mesmo assim, eram uma delícia se comparados com o arroz. Mas não permitiam que se comesse demais o secundário, pois havia uma proporção rígida que devia ser obedecida à risca. Se pusesses um pouco mais de gersal ou se usasse shoyu no arroz eras repreendido publicamente pelo dono do restaurante. Conversar durante as refeições estava proibido. Isso não acontecia num ou outro, mas em todos os estabelecimentos. Nos restaurantes de algumas associações macrobióticas, enquanto as pessoas comiam, o presidente da entidade ficava a dar instruções de mastigação e de combinação de alimentos pelo alto-falante, bem como a descrever algumas doenças (imagina, comeres a ouvir falar de doenças!).

• A macrobiótica compreende sete graus de radicalização: os regimes 1, 2, 3, etc., até ao 7. Mais tarde, como muita gente não conseguia cumprir nem o regime 1, foram acrescentados os regimes menos um, menos dois e menos três, caso contrário os restaurantes, as lojas e as indústrias que viviam desse comércio não sobreviveriam. O regime menos três é, praticamente, a alimentação comum. No entanto, segundo Oshawa, macrobiótica é o regime 7. Os demais são apenas estágios de adaptação para atingir a macrobiótica. O regime sete é 100% cereais. Esses cereais podem ser arroz, trigo, cevada, centeio, etc.

Felizmente, isso foi no passado... Hoje, o que as pessoas conhecem é algo totalmente diferente daquilo que Sakurazawa Nyoiti denominou tyori-dô, ou macrobiótica. Creio que as mudanças deveram-se ao facto de que a macrobiótica não gerou nenhum macróbio e todos morreram relativamente cedo ou abandonaram o regime, que era uma tortura.

Bem, estamos a falar da macrobiótica verdadeira, aquela que era praticada quando o seu codificador estava vivo e nos primeiros anos após a sua morte. Tornou-se moda e transformou-se numa praga na década de 70. Mais ou menos a partir da década de 80 do século XX observou-se um desnaturamento daqueles princípios que foram considerados, por uns, muito difíceis de se seguir; por outros, incorrectos. O facto é que hoje o que se conhece como macrobiótica é algo bem mais palatável que se aproxima um pouco do vegetarianismo.


VEGETARIANISMO

Boa parte da humanidade descobriu que comer carnes não era saudável e eliminou-as da sua mesa. Hoje contam-se em cerca de DOIS BILHÕES DE VEGETARIANOS NO MUNDO. Mais de um bilhão é constituído pelos hindus. Além deles, contabilizamos os adventistas, os praticantes sinceros de Yôga do mundo todo, e os simplesmente vegetarianos das diversas vertentes.

Quando falamos em vegetarianismo poderemos estar a englobar os vegetarianos (lacto-ovo-vegetarianos), os vegetalianos (lacto-vegetarianos) e os vegetaristas (vegetarianos puros ou vegans). Esta é uma das nomenclaturas usadas. Contudo, não há consenso. Na Índia, por exemplo, vegetarianos são os lacto-vegetarianos.

Afinal, essas três vertentes são primas entre si. O princípio básico é não ingerir carnes de nenhuma natureza e de nenhuma cor. Isso de intitular-se vegetariano só por não comer carne vermelha, mas ingerir carne branca, é hipocrisia.

Quando alguém declarar que é vegetariano, mas come carne de peixe, diga-lhe que não é vegetariano. Isso tem outro nome. Como é mesmo? Começa com um radical grego. Macrós... Não. Hipós... Isso! Hipo, hipo... hipócrita!

As diferenças entre as três correntes acima são as seguintes:

• Vegetarianismo aceita ovos e lacticínios, além de 15.000 variedades de legumes, cereais, raízes, hortaliças, frutas, castanhas, massas, etc.

• Vegetalianismo não aceita os ovos. No restante, não há diferença.

• Vegetarismo não aceita os ovos nem os lacticínios. Só vegetais.

Será que pode haver algo ainda mais radical do que o vegetarismo? Sim, o Naturismo.


NATURISMO

O naturismo ou crudivorismo propõe comer os alimentos assim como a natureza os produz, ou seja, não desnaturar a comida antes de ingeri-la. A pior forma de desnaturamento é pelo cozimento. Ao cozinhar, destruímos as vitaminas, os sais minerais são decantados e o prana se evola. O alimento fica sem vitalidade.

A quantidade de nutrientes que se encontram numa folha de alface crua, só seria obtida com mil folhas de alface cozidas. O resultado de uma tal alimentação seria um gasto superlativo de energia para mastigar, insalivar, digerir, assimilar, eliminar e, em troca, obter uma quantidade mínima de nutrição. Uma enorme quantidade de alimento teria que ser processada pelo organismo. Conclusão: obesidade.

Mas, seria possível comer legumes ou cereais crus? Sem dúvida. Já não degustas-te de um couvert de cenouras cruas no teu restaurante predilecto? Já não te delicias-te com o tabule, salada de trigo cru, no teu restaurante árabe? No entanto, ao comer coisas cruas, lembra-te de lavá-las muito bem e deixá-las de molho numa salmoura com limão. Depois retira o sal e tempera a gosto.

Os naturistas estão com a razão: os alimentos crus são mais nutritivos e contêm mais vitalidade. Porém, depois de tantos milénios a cozinhar os nossos alimentos, sentimos falta do cozimento e esse regime pode nos deixar deficientes, não no aspecto estritamente nutricional, mas no emocional. Um dia vais sentir a falta da comida quente. É que a comidinha quente tem para nós o simbolismo do carinho e aconchego da mamã trazendo-nos a refeição. Quando sentires essa carência, faz um prato cru, mas quente.


FRUGIVORISMO

No frugivorismo, além de se comer tudo cru, sem desnaturar os alimentos, excluem-se todos os legumes, cereais, hortaliças, raízes, castanhas, tudo enfim que não seja fruta. Também não se acrescenta sal nem açúcar!

Com isso, fechamos o círculo e voltamos às origens. Frutas são o alimento natural do ser humano. A melhor demonstração disso é a seguinte experiência: coloca na mesa uma variedade de carnes, peixes, aves, moluscos, legumes, raízes, verduras, ovos – tudo cru. Pede aos presentes que escolham apenas um desses produtos e o coma cru, sem acrescentar nenhum tempero. Provavelmente, a totalidade das pessoas postas à prova rejeitarão com nojo todos esses ingredientes.

Em seguida, à mesma mesa, juntamente com as carnes, peixes, aves, moluscos, legumes, raízes, verduras e ovos, acrescenta uma selecção de frutas e repete a solicitação. Todos, sem excepção, escolherão alguma fruta. Isso prova o quê? Prova que o único alimento que em estado natural ingerimos com satisfação são as frutas. Logo, essa é a alimentação para a qual fomos projectados.

Instintivamente, quando alguém está doente, levamo-lhe algumas frutas. Sabemos, inconscientemente, que as frutas têm poder curativo por não estar a agredir a nossa natureza.

Seria possível viver só com frutas? Mesmo a trabalhar muito e praticar desporto? Claro que sim. Afinal os macacos não fazem exercícios? Por outro lado, devo advertir para o facto de que a transição de uma alimentação comum para o frugivorismo deve ser extremamente gradual e a maior parte das pessoas precisará de muita disciplina na gradação meticulosa. Calculo que do vegetarianismo para o frugivorismo, um tempo prudente de transição gradativa seria de 5 anos.

Do Omnivorismo com carnes para o frugivorismo, nunca menos de 10 anos de progressão. Ainda assim, se notares que estás a perder massa muscular ou que estás a ficar fraco, feio, mirrado, deprimido, interrompe a experiência. Qualquer tentativa de seguir regimes mais radicais deve ser acompanhada por hemogramas e lipidogramas completos periódicos, e avaliação de um médico inteligente.


E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. Gênesis, cap. I, vers. 29

Autor: Mestre DeRose
"Chamamos veneno ao que nos mata rapidamente; e alimento, ao que nos mata a longo prazo." Mestre DeRose