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Saturday, 28 February 2009

Hipericão no combate à depressão



O hipericão já me foi apresentado há alguns anos como planta ornamental, e de facto é utilizada frequentemente em jardins, mas possui também bastantes efeitos terapêuticos.

Na verdade, só fiquei a saber das propriedades anti-depressivas desta planta, quando foi prescrito um medicamento à base de hipericão a uma amiga com sintomas depressivos. Ora eu como sou muito avessa a químicos pensei logo em arranjar uma alternativa ao medicamento optando por um chá de hipericão.

Existe à venda este chá em saquetas, mas pode optar por fazer a infusão em casa.

A seguir estão descritos o  Hipericão (Hypericum perforatum L.) e o Hipericão-do gerês  (Hypericum androsaemum L.)                                                                                      

Hipericão-do-gerês (Hypericum androsaemum L.)


Hipericão-do-gerês 
Hypericum androsaemum L. 

Família:
Gutiferáceas (Hipericáceas)

Nomes vulgares: Androsemo, erva-mijadeira, erva-de-pedra, erva-do-gerês, mijadeira.

Habitat e distribuição: Planta vivaz da flora da Europa Ocidental e meridional, Próximo Oriente até ao Irão. Em Portugalencontra-se em lugares sombrios e húmidos, margens de cursos de água no Minho, Beiras e Estremadura.

Partes utilizadas: Partes aéreas floridas.

Constituintes:
Compostos fenólicos com ácidos fenólicos e flavonóides. Vestígios de óleo essencial. Não foi detectada hipericina, ao contrário do que se passa no Hypericum perforatum L. (Hipericão)

Usos Etnomédicos e Médicos: Muito usado em doenças do fígado, cólicas nefritícas e cistites. Também usado externamente em queimaduras e contusões.

Principais indicações: Doenças hepáticas.

Contra indicações: Não são conhecidas

Aromaterapia: O óleo de Hipericão do Gerês é macerado durante vários dias, com igual quantidade de partes aéreas floridas e óleo de amêndoas ou outro óleo vegetal.

Hipericão / Milfurada (Hypericum perforatum L.)


Hipericão / Milfurada 
Hypericum perforatum L. 

Família:
Gutiferáceas (Hipericáceas)

Nomes vulgares: Milfurada, erva-de-são-joão, hipérico, pericão. Brasil: Hepericão.

Habitat e distribuição: Planta herbácea vivaz presente em toda a Europa, excepto Islândia, na Ásia e no Norte de África, terrenos incultos, bosques pouco densos, prados secos, geralmente calcário. Encontra-se nos campos, sebes, prados e margens dos caminhos do continente e Madeira.

Partes utilizadas: Partes aéreas floridas.

Constituintes: Glicósidos, naftodiantronas (hipericina), flavonóides (rutina), óleo volátil ou essencial, resina, taninos e fitosteróis.

Características: Agridoce, fresca, secante.

Propriedades: Adstringente, analgésica, antidepressiva, antivirulenta, anti-inflamatória, sedativa, tónico restaurador para o sistema nervoso.

Usos Etnomédicos e Médicos: 
Internamente: Está indicado no tratamento da ansiedade, depressão moderada, problemas de sono em idosos, transtornos neurovegetativos associados ao climatério, enurese, dispepsia e cólicas gastrointestinais. Nevralgias, ciática e dores musculares. 
Externamente: O oleato de Hipericão é usado como cicatrizante, em feridas, queimaduras, contusNegritoões, eczemas e outras afecções cutâneas.

Principais indicações: Na ansiedade, depressão e agitação. Externamente, em mialgias e queimaduras ligeiras.

Contra-indicações: Gravidez (extractos). é incompatível com alimentos e plantas que contenham tiramina (associação pode produzir elevação da pressão arterial). Interfere com muitos medicamentos por indução enzimática como por exemplo: varfarina, contraceptivos orais, antidepressivos, anti-retrovirais, etc.

Efeitos Secundários e Toxicidade: Doses não terapêuticas devido à hipericina podem produzir fotossensibilização, após exposição às radiações solares, originando eritemas, queimaduras e ulcerações.

Aromaterapia: Óleo obtido por maceração de Hipericão a 30% (oleato), tintura e extracto fluído.
História: Diz-se que a Erva-de-são-joão foi buscar o nome aos Cavaleiros de São João de Jerusalém, que a usavam para tratar as feridas nos campos de batalha das cruzadas. Também se acreditava que expulsava os espíritos malignos e por isso os loucos eram muitas vezes obrigados a beber as suas infusões. Por ser amarela, a planta era associada aos humores “coléricos” e utilizada para a icterícia e para a histeria. Os herbários antigos referem-se ao Androsemo (Hypericum androsaemum) que também pode ser utilizado para tratar fervimentos e inflamações.

Curiosidades: As flores estão abertas apenas um dia e murcham no dia seguinte, adquirindo as pétalas sem viço a cor de ferrugem. Tem uma particularidade interessante: o parênquima das folhas está salpicado de pequenas glândulas de essência, translúcidas, se assemelham a mil pequenos orifícios e às quais se deve o nome de Milfurada,