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Saturday, 27 June 2009

Caneleira (Cinnamomum zeylanicum Nees.)


Família: Lauráceas

Nomes vulgares: Caneleira, caneleira-da-índia, caneleira-de-ceilão, cinamomo e pau-canela Brasil: Cinamomo.

Outros Idiomas: Cinnamomi (latim), Cinnamon (inglês), Canela (espanhol), Cannelle (francês), Cannella (italiano) e Zimt (alemão).

Habitat e distribuição: Originária do Ceilão, da Birmânia e da Índia, foi depois introduzida nas ilhas do oceano Índico e sudeste da Índia,o Sri Lanka é o maior exportador.

Partes utilizadas: Óleo essencial e casca desidratada.

Constituintes: Acetato de eugenol, ácido cinâmico, açúcares, aldeído benzênico, aldeído cinâmico, aldeído cumínico, benzonato de benzil, cimeno, cineol, elegeno, eugenol, felandreno, furol, goma, linalol, metilacetona, mucilagem, oxalato de cálcio, pineno, resina, sacarose, tanino e vanilina.

Propriedades: Aromática, estimulante da circulação, do coração e aumenta a pressão. Provoca a contracção de músculos e do útero, por isso é emenagoga (regula o fluxo menstrual).

Propriedades Medicinais: Adstringente, afrodisíaca, anti-séptica, aperitiva, aromática, carminativa, digestiva, estimulante, hipertensora, sedativa, tónica e vasodilatadora.
Usos Etnomédicos e Médicos: Como digestiva, carminativa, aperitivo, estimulante das secreções digestivas, antiespasmódica, colites, nas diarreias infantis; na dismenorreia; asma e gripe. Externamente nas estomatites e micoses cutâneas.
Principais indicações: Como aperitiva e eupéptica (bom digestivo). Coriza (rinite) e síndromes gripais acompanhadas de inflamação orofaringe e das vias respiratórias, como antibacteriana.

Contra indicações: Não administrar por via oral, nem topicamente, o óleo essencial a crianças menores de seis anos, nem a pessoas com alergias respiratórias ou com hipersensibilidade a este ou outros produtos aromáticos. Não empregar ao mesmo tempo a baunilha nem o bálsamo-do-perú. Não usar em caso de úlcera gástrica, ou intestinal, nem durante a gravidez. Pode irritar as mucosas por uso excessivo.
Precauções: Topicamente: O óleo essencial pode originar dermatites por contacto, irritações das mucosas ou reacções alérgicas. Internamente, em doses elevadas, pode produzir alterações nervosas.

Efeitos Secundários e Toxicidade: Dermatites nas mãos dos pasteleiros atribuídas ao aldeído cinâmico. Gomas aromatizadas com canela pode originar dermatites periorais.
Aromaterapia: O óleo essencial é usado em dores articulares, reumatismo, cãibras, etc. É anti-inflamatório e analgésico.



História: A canela é uma árvore originária do Ceilão, da Birmânia e da Índia e conhecida há mais de 2500 anos a.C. pelos chineses. Seu nome científico, "cinnamomum", segundo referências, é derivado da palavra indonésia "kayu manis", que significa "madeira doce". Mais tarde, recebeu o nome hebreu "quinnamon", que evoluiu para o grego "kinnamon".
A canela era a especiaria mais procurada na Europa e seu comércio era muito lucrativo. O monopólio do comércio da canela esteve nas mãos dos portugueses no século XVI, passou para os holandeses, com a Companhia das Índias Orientais, quando esses expulsaram em 1656 os portugueses do Ceilão, e depois, passou para as mãos dos ingleses, a partir de 1796, quando esses ocuparam essa ilha. As canelas são algumas das espécies mais antigas conhecidas pela humanidade.
A mais difundida é a Cinnamomum zeylanicum, originária do Ceilão, actual Sri Lanka. Outras, entretanto, como a Cássia (Cinnamomum cassia), chamada de falsa-canela e conhecida como canela-da-china, também têm importância económica. Esta espécie é uma Laurácea arbórea muito cultivada nas províncias do sudoeste da China.
As partes mais úteis das canelas são o córtex dissecado (casca) e o óleo. O óleo é obtido das folhas por destilação, por arraste a vapor.
O seu principal constituinte é o aldeído cinâmico, cujo teor pode ser superior a 80%.
Considerada símbolo da sabedoria, a canela foi usada na Antiguidade pelos gregos, romanos e hebreus para aromatizar o vinho e com fins religiosos na Índia e na China. Entre as muitas histórias da canela, conta-se que o imperador Nero depois de matar com um pontapé a sua esposa Popea, tomado de remorsos ordenou a construção de uma enorme pira para cremá-la. Nessa pira foi queimada uma quantidade de canela suficiente para o consumo, durante 1 ano, de toda a cidade de Roma!
Mesmo sem a importância que teve no passado e não sendo mais motivo de lutas entre os povos, a canela continua indispensável, como tempero na culinária moderna.

Lendas e Mitos: A canela é mencionada até em passagens bíblicas. No Livro dos Provérbios da Sagrada Escritura, por muitos atribuído a Salomão, no versículo "As Seduções da Adúltera", é feita a seguinte referência à canela:"Adornei a minha cama com cobertas, com colchas bordadas de linho do Egipto. Perfumei o meu leito com mirra, alóes e cinamomo ...Vem ! Embriaguemo-nos de amor até ao amanhecer. Porque o meu marido não está em casa; Que o teu coração não se deixe arrastar pelos caminhos dessa mulher,A sua casa é o caminho para a sepultura, Que conduz à mansão da morte".

Remédios caseiros
Anemia: Elixir - Em 1 litro de Marsala da melhor qualidade colocar em maceração por 5 dias, 10gr de Canela, 30gr de Quina e 50gr de Centáurea. Filtrar o líquido e consumi-lo em cálices pequenos antes de cada refeição.

Debilidade: Elixir – Em 1 litro de Vinho Marsala, macerar por 24 horas, 25gr de casca de Canela e 10gr de Hortelã fresca, filtrar o líquido e colocá-lo numa garrafa e consumi-lo em cálices cada vez que se sentir fraco ou cansado.
Estômago (Atonia gástrica) – Tintura – Macerar por 24 horas, 50gr de casca de Canela, esmiuçada em ¼ de litro de álcool a 60º. Filtre o líquido e coloque-o numa garrafa. Administrá-lo em colheres antes das refeições.

Vinho digestivo: Em 1 litro de vinho branco de boa qualidade, macerar por uma semana os seguintes ingredientes: 10gr de casca de Canela, 30gr de casca de Quina, 20gr de raiz de Genciana, 10gr de semente de Anis, 50gr de açúcar, 1 envelope pequeno de Baunilha, os ingredientes devem ser esmiuçados, antes de serem colocados no vinho. Filtrar o líquido vertê-lo numa garrafa e conservá-lo em local fresco. A dose é um cálice pequeno.

Gripe: - Infusão - Numa chávena de água fervente colocar, 5gr de casca de Canela, 5gr de Eucalipto, 10gr de Alcaçuz, deixar em infusão por 10 minutos, filtrar o líquido e bebe-lo bem açucarado.

Ponche de chá: - Colocar água quente num recipiente, adicionar à quantidade de chá necessária, um pedacinho de casca de Canela e um cálice pequeno de Aguardente de Cana. Deixar em infusão por 10 minutos.

Vinho Brule: Ferver por 3 minutos em 200gr de Vinho Tinto forte 5gr de Canela e 3 Cravos-da-índia, coar, adoçar e beber em seguida.
Reconstituinte: - Vinho Medicinal – Num litro de Vinho Marsala de boa qualidade, macerar por 12 horas, 40gr de casca de Canela, 30gr de casca de Quina. Filtrar e colocar em uma garrafa. Tomar um cálice pequeno antes das refeições.

Valeriana (Valeriana officialis L.)


Família: Valerianáceas

Nomes vulgares: Erva-dos-gatos, valeriana-menor, valeriana-selvagem, valeriana-silvestre.

Nome Ayurvédico: São usadas duas espécies: tagara e jatamansi.

Habitat e distribuição: Planta vivaz, nativa da Europa (excepto zona mediterrânica e Ásia Setentrional) em lugares húmidos, principalmente nas florestas e margens dos rios. Muito cultivada na Europa central e Oriental.

Partes utilizadas: Rizomas e raízes.

Constituintes: Óleo volátil ou essencial (ácido isovaleriânico, borneol), valepotriatos, alcalóides iridóides, sesquiterpenos, flavonóides.

Características: Pungente, ligeiramente amarga, fresca, seca.

Propriedades: Antiespasmódica, tranquilizante, expectorante, diurética, reduz a tensão arterial, carminativa, anódino suave.

Usos Etnomédicos e Médicos: Sedativo, em casos de nervosismo, estados de ansiedade, insónia, cólicas, gastrintestinais e colites devido ao stress. Broncospasmos de origem nervosa.

Principais indicações: como sedativo, relaxante muscular e indutor do sono.

Contra indicações: Não usar a Valeriana com outros sedativos do sistema central, pois potencializa o seu efeito. Gravidez, aleitação e crianças menores de 3 anos.

Efeitos Secundários e Toxicidade: Quando é prescrita por longos períodos, podem aparecer dores de cabeça, alterações cardíacas e midríase.

Precauções: Evitar bebidas alcoólicas.

Medicina Ayurvédica e Valeriana: A medicina Ayurvédica reconhece duas plantas diferentes na família da Valeriana: tagara e jatamansi. A tagara é mais próxima da Valeriana officialis, que é a mais amplamente utilizada no Ocidente, nas formulações de ervas. O jatamansi às vezes é chamado pelo seu nome latino Valeriana jatamansi e em algumas ocasiões por Nardostachys jatamansi. Esta é considerad ligeiramente menos sedativa do que a tagara, Mas isso não foi cientificamente confirmado. Ambas são amargas, doces, picantes e adstringentes, embora a tagara seja aquecedora em potência, enquanto a jatamansi tem um valor especial na aquietação da mente excitada e ruminadora que o excesso de Pitta pode gerar.

História: O nome Valeriana deriva presumidamente do latim “valere” que significa “estar saudável”. Tranquilizante natural, a Valeriana acalma os nervos sem os efeitos secundários dos medicamentos clássicos. Tem um cheiro distintivo e até desagradável e era chamada phu pelo médico grego Galeno. Nos anos mais recentes, tem sido explorada, e desenvolveram-se químicos chamados valepotriatos nos extractos de Valeriana. Estes produtos parecem deprimir o sistema nervoso, enquanto a planta fresca é mais sedativa.

Saturday, 16 May 2009

Espirulina / Spirulina



Espirulina


Spirulina maxima Setch. ex Garner


Família: Cianofícea




Nomes vulgares: Alga-azul-e-verde




Habitat e distribuição: Alga azul-esverdeada de filamentos microscópicos móveis, multicelulares, espiralados não ramificados. Originária das lamas alcalinas do lago Texcoco (Máexico), é hoje obtida por cultura.




Partes utilizadas: Alga inteira.




Constituintes: Contém de 50% a 75% de proteína, é rica em vitamina A, ferro, cálcio, magnésio, fósforo e em micro minerais extremamente importante para a nutrição. A Espirulina é uma alga unicelular formada por células grandes que cresce em águas alcalinas ricas em minerais. Contém clorofila A, carotenóides e pigmentos azuis (ficocianinas) razão pela qual pertencem ao grupo das algas verde azuladas ou cianobactérias. Possui alto índice de digestibilidade com uma absorção de 85%.




Propriedades: Devido ao alto conteúdo de proteínas e mucilagens é usada para reduzir o apetite. As mucilagens protegem as mucosas e actuam como laxante mecânico. Os sais minerais, vitaminas, aminoácidos e ácidos gordos justificam o seu valor como complemento dietético.




Usos Etnomédicos e Médicos: Em estados de desnutrição ou grande actividade física, caso dos desportistas. Obstipação, gastrites, anemia, hipotiroidismo. Coadjuvante em tratamentos para emagrecer.




Principais indicações: Complemento alimentar em dietas desequilibradas ou de emagrecimento. Anemias; hipotiroidismo.




Contra indicações: Hiperuricémia. Hipertiroidismo.




História: Conforme relatos do Frei Toribo de Bonavente, em 1524 a Espirulina já era utilizada pelos Astecas que a preparavam como um caldo, adicionando a tudo o que comiam. Pesquisada por vários anos no Japão, França e EUA, é saudada como uma das maiores descobertas no campo da alimentação naturalista deste século.

Monday, 2 March 2009

Salgueiro-branco (Salix alba)

Salgueiro-branco
Salix alba




Família: Salicáceas

Nomes vulgares: Salgueiro (salix), sinceiro, Vimeiro-branco.

Outras espécies: Salgueiro-de-casca-roxa (Salix purpúrea), Salgueiro-branco (Salix alba), Salix daphenoide, Salgueiro-frágil (Salix Fragilis), Salgueiro-Preto (Salix nigra), Salgueiro-Acinzentado (Salix cinerea), e Vimeiro-francês.

Habitat e distribuição: Árvore originária da Europa, encontra-se no Norte de África e Ásia junto dos cursos de água e zonas húmidas. É espontânea nas margens dos rios, valas e lugares húmidos no Centro e Sul Continente. Também existe no Oriente.

Partes utilizadas: Cascas dos ramos jovens (2 a 3 anos). Raramente as folhas por serem mais pobres em salicina.
Constituintes: Glicósidos e ésteres salicíticos (salicina, salicortina e outros); taninos catéquicos, heterósidos de fenóis, ácidos fenólicos (salicílico, valílico, cumárico, cafeico); flavenóides. A salicina ou o salicósido originam por hidrólise a saligenina (álcool salicílico), que por oxidação metabólica dá o ácido salicílico.

Farmacologia e Actividade Biológica: Os derivados do ácido salicílico são inibidores da síntese das prostaglandinas por inactivação da cicloxigenase. Assim, são anti-inflamatórios, na fase inicial da inflamação (inibição do aumento da permeabilidade capilar, diminuição da migração dos polimorfonucleares), antipiréticos, analgésicos e inibidores da agregação plaquetária. Os taninos têm acção adstringente.
Usos Etnomédicos e Médicos: Tratamentos sintomáticos de manifestações articulares dolorosas (mialgia, artralgias), no reumatismo crónico. Síndromes febris de gripe e cefaleias.
Principais indicações: Como analgésico, antipirético, anti-inflamatório e febrífugo. Doenças reumatismais.
Propriedades Medicinais: Anafrodisíaco, analgésico, tónico digestivo anti-bacteriana, anti-fúngica, anti-inflamatória, anti-reumática, anti-séptica, adstringente, febrífugo, vermífugo.
Usos: Artrite, dor nas costas, cólica, disenteria, dispepsia, febre, gonorreia, gota, dor de cabeça, azia, inflamações comuns, malária, enxaqueca, suores nocturnos, dores, reumatismo, infecções urinárias, queimaduras, caspa, gengivite, picadas de insecto, amigdalite, feridas. Apenas o Salgueiro-Preto é um anafrodisíaco (substância capaz de diminuir o libido), enquanto todas as espécies são um anti-séptico com efeito moderado.
O Salgueiro é conhecido como uma boa fonte de ácido salicílico, um precursor da aspirina, medicamento conhecido mundialmente. A excreção de ácido salicílico aplicada ajuda a reduzir irritações na região urinária, reduzindo a inflamação. Use como um líquido para limpeza bucal, gargarejo para amigdalite, para enxaguar os cabelos e combater a caspa, em forma de compressas e cataplasmas para queimaduras, também pode ser usado para tratar picadas de insectos, feridas e suor exagerado nos pés.
Contra indicações: Não deve ser usada em doentes com hipersensibilidade aos derivados salicílicos, ou quando existem úlceras gastrintestinais devido aos taninos. É contra-indicado o uso do Salgueiro por pessoas alérgicas à aspirina Ter em conta a interacção com medicamentos que diminuem a agregação plaquetária ou com medicamentos anti-inflamatórios.


Curiosidades: No Oriente, o salgueiro conta na sua família com outras espécies anãs que são cultivadas sobretudo para a obtenção de vime, destinado à confecção de cestos, cadeiras e de açafates. O salgueiro é a planta mágica de Saturno. Dele se pode tirar uma grande força moral e mesmo a faculdade de dominar os espíritos, sobretudo nos dias de Saturno, em que é particularmente activa.
Com ele são ainda feitas as famosas varas talhadas em quilha e utilizadas para procurar os lençóis de água subterrâneos.
Na culinária, os rebentos (brotos) do salgueiro são comestíveis, além de serem uma boa fonte de vitamina C. Pode ser comido cru, mas geralmente é ingerido seco em forma de farinha. as folhas jovens do Salgueiro também são comestíveis. As folhas também podem ser usadas como forragem para gados.


Saturday, 28 February 2009

Hipericão no combate à depressão



O hipericão já me foi apresentado há alguns anos como planta ornamental, e de facto é utilizada frequentemente em jardins, mas possui também bastantes efeitos terapêuticos.

Na verdade, só fiquei a saber das propriedades anti-depressivas desta planta, quando foi prescrito um medicamento à base de hipericão a uma amiga com sintomas depressivos. Ora eu como sou muito avessa a químicos pensei logo em arranjar uma alternativa ao medicamento optando por um chá de hipericão.

Existe à venda este chá em saquetas, mas pode optar por fazer a infusão em casa.

A seguir estão descritos o  Hipericão (Hypericum perforatum L.e o Hipericão-do gerês  (Hypericum androsaemum L.)                                                                                      

Hipericão-do-gerês (Hypericum androsaemum L.)


Hipericão-do-gerês 
Hypericum androsaemum L. 

Família:
Gutiferáceas (Hipericáceas)

Nomes vulgares: Androsemo, erva-mijadeira, erva-de-pedra, erva-do-gerês, mijadeira.

Habitat e distribuição: Planta vivaz da flora da Europa Ocidental e meridional, Próximo Oriente até ao Irão. Em Portugalencontra-se em lugares sombrios e húmidos, margens de cursos de água no Minho, Beiras e Estremadura.

Partes utilizadas: Partes aéreas floridas.

Constituintes:
Compostos fenólicos com ácidos fenólicos e flavonóides. Vestígios de óleo essencial. Não foi detectada hipericina, ao contrário do que se passa no Hypericum perforatum L. (Hipericão)

Usos Etnomédicos e Médicos: Muito usado em doenças do fígado, cólicas nefritícas e cistites. Também usado externamente em queimaduras e contusões.

Principais indicações: Doenças hepáticas.

Contra indicações: Não são conhecidas

Aromaterapia: O óleo de Hipericão do Gerês é macerado durante vários dias, com igual quantidade de partes aéreas floridas e óleo de amêndoas ou outro óleo vegetal.

Hipericão / Milfurada (Hypericum perforatum L.)


Hipericão / Milfurada 
Hypericum perforatum L. 

Família:
Gutiferáceas (Hipericáceas)

Nomes vulgares: Milfurada, erva-de-são-joão, hipérico, pericão. Brasil: Hepericão.

Habitat e distribuição: Planta herbácea vivaz presente em toda a Europa, excepto Islândia, na Ásia e no Norte de África, terrenos incultos, bosques pouco densos, prados secos, geralmente calcário. Encontra-se nos campos, sebes, prados e margens dos caminhos do continente e Madeira.

Partes utilizadas: Partes aéreas floridas.

Constituintes: Glicósidos, naftodiantronas (hipericina), flavonóides (rutina), óleo volátil ou essencial, resina, taninos e fitosteróis.

Características: Agridoce, fresca, secante.

Propriedades: Adstringente, analgésica, antidepressiva, antivirulenta, anti-inflamatória, sedativa, tónico restaurador para o sistema nervoso.

Usos Etnomédicos e Médicos: 
Internamente: Está indicado no tratamento da ansiedade, depressão moderada, problemas de sono em idosos, transtornos neurovegetativos associados ao climatério, enurese, dispepsia e cólicas gastrointestinais. Nevralgias, ciática e dores musculares. 
Externamente: O oleato de Hipericão é usado como cicatrizante, em feridas, queimaduras, contusNegritoões, eczemas e outras afecções cutâneas.

Principais indicações: Na ansiedade, depressão e agitação. Externamente, em mialgias e queimaduras ligeiras.

Contra-indicações: Gravidez (extractos). é incompatível com alimentos e plantas que contenham tiramina (associação pode produzir elevação da pressão arterial). Interfere com muitos medicamentos por indução enzimática como por exemplo: varfarina, contraceptivos orais, antidepressivos, anti-retrovirais, etc.

Efeitos Secundários e Toxicidade: Doses não terapêuticas devido à hipericina podem produzir fotossensibilização, após exposição às radiações solares, originando eritemas, queimaduras e ulcerações.

Aromaterapia: Óleo obtido por maceração de Hipericão a 30% (oleato), tintura e extracto fluído.
História: Diz-se que a Erva-de-são-joão foi buscar o nome aos Cavaleiros de São João de Jerusalém, que a usavam para tratar as feridas nos campos de batalha das cruzadas. Também se acreditava que expulsava os espíritos malignos e por isso os loucos eram muitas vezes obrigados a beber as suas infusões. Por ser amarela, a planta era associada aos humores “coléricos” e utilizada para a icterícia e para a histeria. Os herbários antigos referem-se ao Androsemo (Hypericum androsaemum) que também pode ser utilizado para tratar fervimentos e inflamações.

Curiosidades: As flores estão abertas apenas um dia e murcham no dia seguinte, adquirindo as pétalas sem viço a cor de ferrugem. Tem uma particularidade interessante: o parênquima das folhas está salpicado de pequenas glândulas de essência, translúcidas, se assemelham a mil pequenos orifícios e às quais se deve o nome de Milfurada,

Sunday, 18 January 2009

Alfarrobeira (Ceratonia siliqua L)


Alfarrobeira
Ceratonia siliqua L




Família:
Cesalpiniáceas (Fabáceas)

Nomes vulgares:
Farinha-das-diarreias, fava-rica, figueira-do-egipto. Brasil: fruto-de-pitágoras.

Habitat e distribuição:
Árvore originária da zona mediterrânica oriental, vive em solos pobres e climas temperados quentes de toda a região mediterrânica. É planta subespontânea e cultivada no Algarve.

Partes utilizadas:
Polpa dos frutos, sementes e goma de alfarroba.

Constituintes:
A polpa, ou farinha de alfarroba, é rica em pectina e em glúcidos simples (20 a 30%), como glucose, sacarose, fructose, holósidos. Outros constituintes são: proteínas, gorduras, flavonóides, mucilagens (3%), taninos e sais minerais. As sementes, das quais se prepara a «goma», são ricas em glúcidos complexos como galactomananas (90%), e hemiceluloses.

Usos Etnomédicos e Médicos:
Polpa: diarreias, vómitos, gastrite gastroenterites, úlcera gastroduodenal, vómitos durante a gravidez. «Goma»: laxante e coadjuvante em tratamentos de obesidade, diabetes, hipercolesterolemia e consequente prevenção, da arteriosclerose.

Principais indicações:
Gastroenterites, vómitos, tosse emetilizante, doença celíaca e sprue. A «goma» no controlo do apetite.

Contra indicações:
Estenoses do tubo digestivo, oclusão intestinal.


Efeitos Secundários e Toxicidade:
Não são conhecidos.

Precauções:
Pode haver necessidade de reajustar as doses de insulina, nos doentes com diabetes mellitus. Também pode reduzir a absorção intestinal de medicamentos.

Preparação e Utilização:
Do fruto da alfarrobeira tudo pode ser aproveitado, embora a sua excelência esteja ainda ligada à semente, donde é extraída a goma, constituída por hidratos de carbono complexos (galactomananos), que têm uma elevada qualidade como espessante, estabilizante, emulsionante e múltiplas utilizações na indústria alimentar, farmacêutica, têxtil e cosmética.
Mas a semente representa apenas 10% da vagem e o que resta – a polpa - tem sido essencialmente utilizado na alimentação animal quando, devido ao seu sabor e características químicas e dietéticas, bem pode ser mais aplicado em apetecíveis e saborosas preparações culinárias.
A farinha de alfarroba é a fracção obtida pela trituração e posterior torrefacção da polpa da vagem. Contém, em média, 48-56% de açúcar (essencialmente sacarose, glucose, frutose e manose), 18% de fibra (celulose e hemicelulose), 0,2-0,6% de gordura, 4,5% de proteína e elevado teor de cálcio (352 mg/100 g) e de fósforo. Por outro lado, as características particulares dos seus taninos (compostos polifenólicos) levam a que a farinha de alfarroba seja muitas vezes utilizada como antidiarreico, principalmente em crianças.

Diarreia:
Farinha: 20-30g por dia dissolvidos num pouco de água ou leite mornos. Antes de utilizar a alfarrobeira para tratamento de diarreias em bebés, consulte o médico – a hidratação com um fluído altamente electrolítico é vital.

Vómitos:
Goma: para adultos, misture 1 colher de sopa de goma num copo de água. Bebe à noite. Para bebés, 1g de goma para cada 10cl de leite em cada biberão.

História:
A alfarroba (do árabe al karrub, a vagem), é o fruto da alfarrobeira (Ceratonia siliqua L.). As suas sementes foram usadas, no antigo Egipto, para a preparação de múmias; foram, aliás, encontrados vestígios das suas vagens em túmulos. A alfarrobeira terá sido trazida pelos gregos da Ásia Menor. Existem indícios de que os romanos mastigavam as suas vagens ainda verdes, muito apreciadas pelo seu sabor adocicado.

Como outras, a planta teria sido levada pelos árabes para o Norte de África, Espanha e Portugal. Trata-se, pois, de mais um elemento do património legado pelos árabes.

Curiosidades:
O nome alfarrobeira (”farrobeira”) deriva do vocábulo árabe al kharoubah que, noutros idiomas deu lugar a algarrobo, algarrobero (espanhol), carruba (italiano), caroube (francês), carob tree (inglês).

Não se conhece o tempo de vida útil de uma alfarrobeira. Em condições óptimas e sem recurso a técnicas de crescimento acelerado, a produção pode iniciar-se no 6º ano de vida da árvore e manter-se em expansão para além dos 70 anos. Winer (1980) admite que o estado adulto seja atingido por volta dos 70 anos, afirmando que a produção se mantém para além dos 150. Daí considerar-se a alfarrobeira como “a árvore que nunca morre”.

A semente da alfarrobeira foi, durante muito tempo, uma medida utilizada para pesar diamantes. A unidade quilate (carat) era o peso de uma semente de alfarroba. É uma das características únicas da semente da alfarroba, o seu peso é sempre igual.

Friday, 16 January 2009

Carqueja (Baccharis trimera (Less) DC; Asteraceae)


A carqueja (Baccharis trimera (Less) DC; Asteraceae) é uma planta ideal para canteiros de jardins, pois cresce formando tufos espessos.
Pelo seu gosto amargo, a medicina popular recomenda-a para combater problemas digestivos e hepáticos. Com efeito diurético, auxilia no emagrecimento e no controlo da diabetes.
Pelo mesmo motivo, deve ser usada com moderação.

Nome científico:
Baccharis trimera (Less.) DC.

Família:
Asteraceae.

Sinónimo botânico:
Baccharis genisteiloides var. trimera (Less.) Baker., Baccharis trimera Person, (=Molina trimera Less.).

Outros nomes populares:
Bacanta, bacárida, cacaia-amarga, cacália-amarga, cacália-amargosa, caclia-doce, cuchi-cuchi, carque, carqueja-amarga, carqueja-amargosa, carqueja-do-mato, carquejinha, condamina, iguape, quina-de-condomiana, quinsu-cucho, tiririca-de-babado, tiririca-de-balaio, tiririca-de-bêbado, três-espigas, vassoura; carqueja (castelhano); carquexia (espanhol); querciuolo (italiano); carqueija, tojo (Portugal).

Propriedades medicinais:
Amarga, antianémica, antiasmática, antibiótica, antidiarréica, antidiabétíca, antidispéptica, antigripal, anti-hidrópica, anti-inflamatória, anti-reumática, anti-Trypanosoma cruzi(causador da moléstia de Chagas), aperiente, aromática, colagoga, depurativa, digestivo, diurético, emoliente, eupéptica, estimulante hepática, estomáquica, febrífuga, hepática, hepato-protetor, hipocolesterolémica, hipoglicêmica, laxante, moluscocida (contra Biomplalaria glabrata, hospedeiro intermediário do Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose), sudorífica, tenífuga, tónico, vermífuga.

Indicações:
Afecções febris, afecções gástricas, intestinais, das vias urinárias, hepáticas e biliares (ictérícia, cálculos biliares, etc.); afta, amigdalite, anemia, angina, anorexia, asma, astenia, azia, bronquite asmática, chagas venéreas, coadjuvante em regimes de emagrecimento, colesterol (redução de 5 a 10%.), desintoxicação do fígado, diabete, diarréias, dispepsias; doenças venéreas; enfermidades da bexiga, do fígado, dos rins, do pâncreas e do baço; espasmo, esterilidade feminina, estomatite, faringite, feridas, fraqueza intestinal, garganta, gastrite, gastroenterites, gengivite, gota, hidropisia, impotência sexual masculina, inflamações de garganta, inflamação das vias urinárias, intestino solto, lepra, má-digestão, mal estar, má-circulação, obesidade, prisão de ventre, reumatismo, úlceras (uso externo), vermes.

Parte utilizada:
Hastes.

Constituintes químicos:
Segundo a EPAGRI: alfa e beta-pineno, álcoois sesquiterpênicos, ésteres terpênicos, flavonas, flavanonas, saponinas, flavonóides, fenólicos, lactonas sesquiterpênicas e tricotecenos, alcalóides. Compostos específicos: apigenina, dilactonas A, B e C, diterpeno do tipo eupatorina, germacreno-D, hispidulina, luteolina, nepetina e quercetina. O óleo essencial contém monoterpenos (nopineno, carquejol e acetato de carquejilo). Segundo a BIONATUS: flavonóides (apigenina, cirsiliol, cirsimantina, eriodictiol, eupatrina e genkawanina), sesquiterpenos, diterpenos, lignanos, alfa e beta pinenos, canfeno, carquejol, acetato de carquejila, ledol, alcóois sesquiterpênicos, sesquiterpenos bi e tricíclicos, calameno, elemol, eudesmol, palustrol, nerotidol, hispidulina, campferol, quercetina e esqualeno.

Contra-indicações/cuidados:
Gestantes e lactantes. Doses excessivas podem abaixar a pressão.

Modo de usar:
Infusão, decocção, extracto fluido, tinturas, elixir, vinho, xarope, gargarejos, compressas.

Infusão: 1 chávena (café) em 1/21itro de água. Tomar 1 a 2 chávenas após as refeições e ao deitar;

Infusão ou decocção a 2,5%:
50 a 200mL ao dia;

Infusão para uso externo:
60g em 1 litro de água. Aplicar nos locais afectados. Banhos parciais ou completos, ou compressas localizadas;

Infusão:
10g de talos em ½ litro de água fervente. Tomar 150ml, três vezes ao dia;

Decocção:
Ferver por 5 minutos 1 colher das de café de folhas secas ou em pó numa 1 chávena das de chá de água. Coar e tomar 2 xícaras das de chá ao dia;

Decocção:
10 g em 1/2 litro de água. Tomar 4 vezes ao dia;

Tintura:
1 colher das de sobremesa de 8 em 8 horas. (5 a 25mL ao dia). - extracto fluido: 1 a 5mL ao dia.

Vinho digestivo:
Macerar 1 colher das de sopa de hastes em ½ copo de aguardente por 5 dias. Misturar o macerado filtrado a uma garrafa de vinho branco. Tomar 1 cálice antes das refeições.


Fonte: http://www.carqueja.com.br/

Saturday, 10 January 2009

Alecrim (Rosmarius officialis L.)


Alecrim
Rosmarius officialis L.


Família:
Lamiáceas (Labiadas)

Nomes vulgares:
Alecrim-da-terra, alecrinzeiro ,alicrizeiro. Brasil: Alecrim-do-jardim, alecrim-da-horta, alecrim-rosmaninho, alecrim-do-sul, erva-coroada, erva-da-recordação, flor-do-olimpo, rosmarino.

Planeta:
Sol

Habitat e distribuição:
Arbusto vivaz da zona europeia mediterrânica, cresce em solos secos e pobres, principalmente calcários. Encontra-se em charneiras e pinhais do Centro e Sul do Continente. É muito cultivado.

Origem:
A sua origem remonta às praias do Mediterrâneo. O nome rosmarinus vem do latino que significa "o orvalho que vem do mar", devido ao cheiro das flores vegetando à beira mar. Carlos Magno obrigava os camponeses a cultivá-lo. Foi companheiro dos portugueses nas Entradas e Bandeiras. Antigamente, queimava-se caules de alecrim para purificar o ar do quarto de doentes em hospitais.


Partes utilizadas:

Folhas, flores e óleo essencial.

Constituintes:
Óleos essenciais, ácidos orgânicos, heterósidos, saponósidos, colina, taninos, princípios amargos, flavonóides

Propriedades:
Anti-séptico, antiespasmódico, colagogo, diurético, estimulante, estomáquico e tónico.

Propriedades Terapêuticas:
Bom para os rins e vesícula e equilíbrio da pressão arterial, auxiliando a boa circulação; auxilia nos estados de depressão, dores reumáticas, digestão, facilita a menstruação, combate gota, icterícia é anti-séptico, sedativo, fortalece a memória.
Bochechos de infusão são recomendados para aliviar aftas, estomatites e gengivites.
Asma: fumo de alecrim (reduzir a pedaços pequenos as folhas secas. Fazer cigarro e fumar quando ameaçar ataque de asma).
Reumatismo, eczemas e contusões: folhas cozidas no vinho usadas externamente.
Anti-séptico bucal: infusão comum.
Cicatrizante de feridas e tumores: folhas secas reduzidas a pó ou sumo.

Propriedades Cosméticas:

Vinagre de alecrim ou chá bem forte no cabelo depois de lavado estimula a saúde dos folículos capilares e evita a calvície; Champô para fortificar. Na pele, restabelece o ph natural (é ligeiramente adstringente).
O Óleo de alecrim é bom para passar no corpo após o banho.

Creme de alecrim para lábios sensíveis:
1 colher (de café) de manteiga de cacau, 1/3 de colher (de café) de glicerina, essência de alecrim. Derreta a manteiga, misture a glicerina e o alecrim. Impede rachadura dos lábios ou irritação dos mesmos.

Tónico facial de alecrim:
5 chávena de água, 1 maço de alecrim, 1/2 dose de conhaque. Ferver o alecrim na mistura de água e conhaque por 15 minutos. Filtre e conserve em vidro escuro. Para pele precocemente envelhecida: 50 gramas de alecrim em infusão em 1 litro de água por 10 minutos. Coe e faça compressa no rosto após a limpeza.

Usos Etnomédicos e Médicos:

Internamente: Como normalizador das perturbações digestivas associadas a disfunções hepatobiliares, flatulência, anorexia. Adstringente e diafiorético, aumenta a sudação. Como tónico circulatório e hipotensor.
Externamente: Coadjuvante, no tratamento de reumatismos musculares e articulares, como analgésico e anti-inflamatório nas mialgias, nevralgias e inflamações osteoarticulares, no couro cabeludo como estimulante.

Principais indicações:
Anorexia, digestões lentas e flatulência por disquinesia biliar. Em Balneoterapia, como activador circulatório e anti-reumatismal.

Contra indicações:
Não usar o óleo essencial por via interna durante a gravidez, a aleitação, em crianças menores de seis anos ou em doentes com gastrites, duodenite, síndrome do cólon irritável úlceras pépticas, doenças inflamatórias intestinais ou com doenças neurológicas acompanhadas de tremores ou convulsões e epilépticos

Efeitos Secundários e Toxicidade:
Não usar o óleo essencial puro, por via interna, pois pode produzir cefaleias, convulsões, espasmos, gastroenterites, lesão renal. Pode ser abortivo em doses elevadas. Topicamente o óleo essencial produz rubefacção dérmica, devendo evitar-se a aplicação sobre as mucosas e zonas cutâneas. Em caso de overdose pode causar gastroenterites e/ou nefrites.

Uso caseiro:
Insecticida natural, plantado na horta protege as outras plantas.
Ramos de alecrim frescos colocados entre as roupas defendem-nas do ataque de traças.

Desinfectante de alecrim:
Ferverfolhas e pequenos caules de alecrim por meia hora. Quanto menos água, mais concentrado. Espremer e usar para limpar louças e casas de banho. Para desengordurar melhor, misturar um pouco de detergente. Guardar no frigorífico, dura uma semana.
Os galhos floridos, secos num vaso da casa, estimulam a memória.

Aromaterapia:
Para dores musculares, reumatismo, artrite, prisão de ventre, tosse, sinusite, resfriados, bronquite, enxaquecas, deficiência de memória e cansaço.

História:
A sua origem remonta às praias do Mediterrâneo (o nome Rosmarinus vem do latino que significa "o orvalho que vem do mar", devido ao cheiro das flores vegetando à beira mar). Carlos Magno obrigava os camponeses a cultivá-lo. Antigamente queimava-se caules de alecrim para purificar o ar do quarto de doentes em hospitais.

Lendas e Mitos:
Conta-se que numa viagem Nossa Senhora se sentou à sombra de um alecrim para dar de mamar ao menino Jesus: por isso acredita-se que a planta nunca atinja altura superior à de Jesus adulto. Outro conto diz que a Bela Adormecida foi acordada pelo príncipe com um ramo de alecrim. Diz-se que a Rainha Isabel da Hungria, septuagenária, depauperada pela doença, recuperou a saúde e rejuvenesceu graças ao alecrim.
Os gregos usavam coroas de alecrim em festas, como símbolo da imortalidade. A crendice popular usa o alecrim para afastar o mau-olhado (olho gordo), erva da juventude eterna, do amor, amizade e alegria de viver. A erva colocada debaixo do travesseiro afasta os maus sonhos.
Tocar com alecrim na pessoa amada faz ter o seu amor para sempre. .

Alfazema (Lavandula angustifólia)


Alfazema
Lavandula angustifólia Miller, Lavandula officialis Chaix


Família:
Lamiáceas (Labiadas)


Nomes vulgares:
Lavândula, lavanda. Brasil: Alfazema, lavanda nardo, espicanardo.

Variedades utilizadas:
Lavandula spica L, Lavandula vera, Lavandula vulgaris Lam.

Planeta:

Mercúrio

Habitat e distribuição:
Subarbusto vivaz da zona europeia mediterrânica, cresce em solos secos e áridos, calcários e bem expostos ao sol, é muito cultivado.

Origem:
Cresce principalmente nas regiões quentes do Mediterrâneo, encontrada aclimatada e nativa em diferentes pontos do globo.
Baptizada de nardus pelos gregos, por causa de Naarda, cidade Síria à beira do rio Eufrates. Era o aditivo de banho preferido dos gregos e romanos.
O nome deriva do latimlavare (lavar).
Conta-se que a peste não chegava aos fabricantes de luva de Grasse, pois eles usavam a alfazema para perfumar o couro. Isso fez com que as pessoas na época andassem sempre com alfazema.
Durante as duas Grandes Guerras, a alfazema foi utilizada para limpar os ferimentos.
O seu óleo tem sido testado em ligaduras cirúrgicas.

Partes utilizadas:

Folhas e Flores

Constituintes: Óleos essenciais (acetato de linalilo e linalol), taninos 12%, cumarinas, princípio amargo, saponina ácida, resina

Propriedades:
Anti-séptico, tónico, antiespasmódico, calmante, digestivo, antibacteriana, carminativa, revulsiva

Propriedades Terapêuticas:
Nevralgias, hemicrania, excitação nervosa, insónia, vertigens, contusões, feridas, inapetência, má digestão, asma, tosse convulsa, faringite e laringite.
Diurética, expectorante, sedativa, anti-inflamatória, sudorífica, antiespasmódica, anti-séptica, cicatrizante e colagoga.
Infusão para as dores de cabeça e acalmar os nervos.
Alivia a falta de urina, doenças de baço, cãibras, gota, fraqueza, vómitos, hipocondria, falta de regras, insolação, vómitos.
Bom para digestão, dores reumáticas, tosses e resfriados, cistites e inflamações das vias urinárias, facilita a produção e eliminação da bílis, combate as enxaquecas. Gargarejo com decocção das flores alivia as dores de dentes.

Propriedades cosméticas:
Fazer uma água tónica para acelerar a substituição das células nas peles sensíveis e como anti-séptica contra acne. Agente de limpeza e tónico para todos os tipos de pele. Recomendável para peles com acne. Uma decocção de sumo de pepino com lavanda dá uma boa loção de pele.

Usos Etnomédicos e Médicos:

Estados de intranquilidade, agitação e insónia. Perturbações digestivas como anorexia, flatulência e que se acompanhem de espasmos de natureza nervosa. Em Balneoterapia, como tonificante cutâneo de efeito calmante.

Principais indicações: Reumatismo, nevralgias, hemicrania, excitação nervosa, insónia, vertigens, contusões, feridas, inapetência, má digestão, asma, tosse convulsa, faringite, laringite, depressão, cistites, enxaquecas, bronquite, corrimento vaginal, prurido vaginal.

Contra indicações:
Não usar o óleo essencial por via interna durante a gravidez, a aleitação, em crianças menores de seis anos ou em doenças com gastrites, úlceras pépticas, doenças inflamatórias intestinais ou com doenças neurológicas.

Efeitos Secundários e Toxicidade:
Evitar o uso prolongado. Torna-se excitante se usada em excesso.
Internamente: o óleo essencial, em doses não terapêuticas, é neurotóxico. Externamente: pode provocar dermatites de contacto quando usado não diluído.

Aromaterapia:
Um dos óleos aromáticos mais populares, pode ser utilizado para tratar uma grande variedade de problemas e é um componente essencial de qualquer caixa de 1os socorros. É usado para cortes, queimaduras, reumatismo, alergias de pele, queimaduras de sol, dor de cabeça, insónia, problemas inflamatórios, artrite, pelas propriedades bactericidas e antivirícas. É eficaz para restaurar a circulação dos pés. O banho perfumado com óleo essencial de alfazema é excelente tratamento contra a insónia.

Medicina Ayurvédica e Lavanda:
Apesar dos médicos Ayurvédicos originais não terem reconhecido a Lavanda, os seus ingredientes energéticos à base de ervas podem ser compreendidos nos termos desta medicina. O seu sabor levemente picante e a sua influência suavemente refrescante tornam-na numa erva muito útil para os 3 componentes do corpo. O óleo de lavanda acalma tanto Pitta como Kapha, e tem um efeito de equilibrar Vata. Pode acalmar a mente perturbada, sem provocar entorpecimento indesejado.

História:

Desde a Antiguidade uma das mais populares plantas medicinais, a Alfazema vai buscar o nome ao latim lavare, lavar. Na medicina árabe, é utilizada como expectorante, enquanto na tradição europeia ela é considerada uma planta benéfica para as feridas. As espécies utilizadas medicinalmente incluem a Lavandula angustifólia ou Lavandula spica, bem como a alfazema francesa (Lavandula stoechas) no Sul da Europa.

Lendas e Mitos:
Bastante utilizada em banhos de purificação.

Tuesday, 4 November 2008

Equinácea


Equinácea
Echinacea angustifolia, Echinacea purpurea, Echinacea pallida


Família: Asteráceas (compostas)

Habitat e distribuição: Planta herbácea vivaz. A Echinacea angustifolia é originária dos prados dos EUA, a Echinacea purpurea e a Echinacea pallida da parte central e Oriental dos EUA, sendo muito cultivada a Echinacea purpurea por ser de mais fácil propagação.

Partes utilizadas:
Raízes. Principalmente da Echinacea purpurea e da Echinacea pallida.

Constituintes: Ácidos gordos, óleo essencial, fitosteróis, rutósido, alcalóides, equinacósidos A e B, polissacáridos (equinacinas).

Farmacologia e Actividade Biológica: Imunoestimulante, activando o sistema imunológico celular não específico, impedindo as infecções. Activa a formação de leucócitos. Acção anti-inflamatória e antiviral. Protege o colagénio.

Usos Etnomédicos e Médicos: Na profilaxia do tratamento da gripe, inflamações orofaríngeas, rino-sinusites e bronquites, principalmente em doentes com imunidade diminuída ou fazendo quimioterapia. Externamente, sob a forma de pomadas ou em compressas nas queimaduras, feridas purulentas, acne e outras inflamações ou ulcerações cutâneas.

Principais indicações: Síndromes gripais com tosse, bronquite, febre, odinofagia. Como estimulante.

Contra indicações: Gravidez, aleitação, hepatites. É recomendado não utilizar em caso de tuberculose, colagenoses, esclerose múltipla, síndrome de imunodeficiência adquirida e outras doenças imunológicas, sem supervisão médica.

Medicina Ayurvédica e Equinácea: Apesar de não ser conhecida dos médicos Ayurvédicos na Índia, a Equinácea pode ser compreendida como uma poderosa substância desintoxicante, similar, de certo modo ao Nim. Possui os sabores amargo e picante e tem um efeito refrescante geral sobre a fisiologia. Reduz Pitta e Kapha, podendo ser agravante de Vata se usada por um longo período de tempo.

Monday, 3 November 2008

Centella asiatica (Hydrocotyle asiatica) - (1)


Cairuçu asiático
Centella asiatica (L.) Urban
Syn.:Hydrocotyle asiatica L.
Familia: Umbelliferae (Apiaceae)

Características: O género Centella inclui aproximadamente 20 espécies de pequenas ervas perenes que medram na África meridional e na maioria das partes das regiões tropicais. A espécie mais conhecida é a Centella asiatica que é uma erva medicinal importante, semelhante à uma sua parente Européia, a Hydrocotyle vulgaris. A planta foi denominada inicialmente Hydrocotyle asiatica por Linnaeus e posteriormente passou para o género Centella. É uma espécie variável, de distribuição tropical que prospera em lugares sombreados e húmidos como plantações de arroz, mas também cresce em áreas rochosas e em paredes sendo também uma planta infestante da relva. É uma erva rasteira, perene, as raízes propagam-se em nódulos, com agrupamentos de folhas de até 5cm, em formato de rim e bordas denteadas.
As Flores rosas minúsculas aparecem sob a folhagem na época do verão.

A Centella asiatica é uma das mais importantes ervas na medicina Ayurvédica.
Conhecida como Brahmi, "que traz conhecimento de brahman [Realidade Suprema]", foi por muito tempo usada na Índia para fins medicinais e para ajudar a meditação. Tradicionalmente usada na Índia e na África para tratar lepra, entrou na farmacopeia francesa através de Madagáscar.
Uma recente pesquisa mostrou que a Centella asiatica reduz o tempo de cicatrização, melhora problemas circulatórios nos membros inferiores e acelera a cura.

Usos medicinais: Usam-se as folhas e também a planta inteira que são colhidas a qualquer hora do dia e são usadas frescas ou secas em infusões, decocção no leite, pulverizadas, ou como óleo medicinal. É uma erva rejuvenescedora, diurética, que limpa toxinas, reduz inflamação e a febre, melhora a cura e a imunidade, e tem um efeito equilibrador no sistema nervoso.

Externamente é usada em feridas, hemorróidas e articulações reumáticas.
Os Extractos também são utilizados em máscaras de cosméticos e cremes para aumentar o colagénio e firmar a pele.

Uso culinário:
As folhas são consumidas em saladas e como tempero no sudeste da Ásia. Medicinalmente a erva é usada interiormente para combater feridas e condições crónicas da pele (inclusive lepra), doenças venéreas, malária, veias varicosas e úlceras, desordens nervosas e senilidade.

Contra indicações: O excesso provoca enxaquecas e inconsciência passageira.

CUIDADO: Esta erva é irritante de pele e está sujeita a restrições legais em alguns países

Sunday, 2 November 2008

Centella asiatica (Hydrocotyle asiatica) - (2)


Centella asiatica
Hydrocotyle asiatica


Família:
Apiáceas (Compostas)

Nomes vulgares: Hidrocotilo, Hortelã-brava-indiana, Gotu-kola, Cairuçu asiático, Acariçoba.

Nome sânscrito:
Brahmi

Outros nomes populares: Codagem, Pata-de-burro, Pata-de-cavalo e Pata-de-mula; Centella (inglês), Yerba de claro (espanhol) e Asiatischer wassernabel (alemão).


Habitat e distribuição: Nativa da Índia e do Sul dos EUA, mas distribuída no oceano Índico, de Madagáscar à Indonésia, na Austrália e África do Sul. Prefere regiões tropicais e subtropicais pantanosas e margens dos rios.

Partes utilizadas: Partes aéreas.

Constituintes: Saponósidos triterpénicos, óleo essencial, alcalóides, glicosídeos, esteróides, taninos, heterósidos de flavonóides e poliinas.

Farmacologia e Actividade Biológica: As saponinas triterpénicas mostram uma acção reepitelizante. A planta, por via interna, tem efeitos psicotrópicos e reduz a formação de úlceras. Acção sobre a insuficiência venosa.

Usos Etnomédicos e Médicos: Externamente, em dermatoses diversas, para acelerar a cicatrização de feridas superficiais, em queimaduras ligeiras e úlceras das pernas de origem venosa. Internamente como antidepressivo e como venotónico e na celulite. O extracto de Centella asiatica tem uma acção directa sobre os fibroblastos, estimulando sua multiplicação e consequentemente a regeneração dérmica. Como os fibroblastos são produtores de colagénio e elastina, o extracto de Centella contribui para restauração do tecido conjuntivo de boa qualidade. Também possui actividade anti inflamatória por conter asiaticosídeos em sua composição.

Principais indicações:
Insuficiência venosa. Como cicatrizante.

Efeitos secundários e toxicidade: Pode originar dermatites de contacto.


Medicina Ayurvédica e a Centella asiatica:
A Centella asiatica (o brahmi) é uma das plantas mais importantes da Medicina Ayurvédica. Descrito nos livros originais da Medicina Ayurvédica, há muitos milhares de anos, a Centella asiatica também era conhecida pelos médicos chineses pela sua capacidade de promover a longevidade. Há muito que tem a reputação de curar ferimentos e estimular o cérebro. Além do seu papel sobre a memória, é normalmente receitada para baixar a febre, tratar eczemas e aliviar a congestão respiratória.
Possui um leve efeito laxativo e diurético e desempenha um papel tradicional como depurador do sangue.
Aproveitando a sua propriedade de curar ferimentos, as mulheres são aconselhadas a tomar longos banhos terapêuticos de Centella asiatica após dar à luz, para acalmar os tecidos irritados. Possui os sabores amargo, picante e doce, sendo refrescante para o corpo.
Pode ser útil para equilibrar as três doshas, mas é especialmente eficaz para o sistema nervoso irritado de Pitta..

Thursday, 4 September 2008

Ginkgo - (Ginkgo biloba)


Família: Ginkgoáceas

Habitat e distribuição: Árvore sagrada do Oriente, originária da China, Japão e Coreia, é cultivada em diversos países (China, França, e Sudoeste dos Estados Unidos da América.

Partes utilizadas: Folhas, frutos, sementes.

Constituintes:
Ginkgólidos, glicosídeos, heterósidos, flavonóides e bioflavonóides, proantocianidinas, glúcidos, ácidos gordos, fitosteróis, sesquiterpenos, saponinas, sitosterol, lactonas, luteolina, antocianina, minerais, quercetina, canferol, catequinas, taninos, alcalóides e esteróides.

Farmacologia e Actividade Biológica:
Aumenta a resistência dos capilares e a oxigenação dos tecidos, previne a peroxidação lipídica causada pelos radicais livres, evitando a perda de memória e a decadência das funções cognitivas. Aumenta a resistência e diminui a permeabilidade vascular. Acção vasodilatadora periférica, inibidora da agregação plaquetária.

Usos Etnomédicos e Médicos: Em casos de diminuição do rendimento intelectual. Perda de memória, zumbidos, dores de cabeça e ansiedade devido a insuficiência vascular cerebral dos idosos. Claudicação intermitente. Demência senil tipo Alzheimer. Prevenção da arteriosclerose e da formação de trombos. Útil em cardiopatias isquémicas e na diabetes mellitus nomeadamente nas complicações vasculares. Tem acção anti-inflamatória, anti-fúngica, antibacteriana, antidepressiva, anti-diabética, e é auxiliar no tratamento da sida impotência sexual, doenças vasculares, é vasodilatadora e adstringente.

Principais indicações: Nos sintomas ligados à insuficiência vascular cerebral ou periférica. Vertigens, acufenos, perturbações de memória, dificuldades de concentração e claudicação intermitente. Previne o envelhecimento, estimula a circulação sanguínea auxiliando no tratamento de impotência sexual e doenças vasculares. Tem acção de relaxar vasos sanguíneos e combater radicais livres. As suas sementes são empregadas como excelente remédio para tosse e bronquite. Tem acção comparada no transtorno da memória, sonolência e na activação da memória em idosos e capacidade de concentração em jovens. Contém substâncias estimulantes que melhoram o desempenho físico e intelectual que fica mais lento com a idade. Conduz oxigénio a mais para os pulmões, neurónios e as células do sistema nervoso. Seus princípios activos, diminuem os efeitos das doenças vasculares como arteriosclerose.


Contra indicações: Hipersensibilidade individual aos componentes do Ginkgo biloba. Interacção com terapêutica antiagregante plaquetária. Gravidez e aleitação.

Medicina Ayurvédica e Ginkgo biloba: Apesar da sua antiga herança asiática, o Ginkgo não foi descrito nos antigos textos Ayurvédicos. As suas propriedades são semelhantes às da Centella Asiática, uma erva Ayurvédica. O sabor predominantemente de extracto do Ginkgo é amargo, com um leve componente azedo. Pode equilibrar os três Doshas e possui um efeito refrescante sobre a fisiologia.

Curiosidades:
Ginkgo biloba
talvez seja a árvore mais antiga da Terra, tendo surgido há mais de duzentos milhões de anos. Encontrado anteriormente na América do Norte e Europa, sobreviveu apenas na China, após a pré-histórica idade do gelo. Apreciado pelas suas propriedades medicinais durante quase quinhentos anos, é agora uma das ervas mais populares na Europa e nos Estados Unidos. É uma planta citada na terapêutica chinesa há cerca de 2.800 anos A.C. É considerada sagrada pelos budistas. Pronunciada resistência a bactérias, vírus e radiações, sendo a primeira manifestação de vida ocorrida após a explosão da bomba atómica de Hiroshima. O nome Ginkgo originou-se das palavras japonesas “gin”, que significa “prata” e “kyo”, que significa “damasco”, é uma referência aos frutos comestíveis que surgem no Verão.

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Fonte: "Algumas das Plantas usadas em Fitoterapia"

Autora: Maria da Luz Cardoso

(Trabalho apresentado à ESMOT - Escola Superior de Medicina Oriental e Terapias - como requisito para o Curso de Acupunctura e Fitoterapia)
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